Theresa May enfrenta primeiro grande teste eleitoral pós-Brexit

Por Alfons LUNA
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A primeira-ministra britânica, Theresa May, em Londres, em 3 de maio de 2017

A primeira-ministra britânica e líder dos conservadores Theresa May enfrentou nesta quinta-feira seu primeiro evento de campanha eleitoral, alguns comícios locais, em plena campanha para as legislativas de 8 de junho, em um contexto de tensões crescentes com a União Europeia por causa do Brexit.

Essaas eleições locais aconteceram em plena campanha das eleições gerais. A votação permitirá medir se a popularidade de May continua intacta após as primeiras disputas com a União Europeia.

Os colégios eleitorais fecharam às 22H00 do horário local (21H00 GMT) e os resultados serão divulgados na sexta-feira. Estão em jogo quase 5.000 cadeiras em assembleias municipais da Inglaterra, Escócia e País de Gales, assim como várias prefeituras, incluindo as de Manchester e Liverpool, que pela primeira vez na história escolheram a principal autoridade municipal, como parte de um processo de descentralização iniciado em 2000.

Nacionalmente, as pesquisas de opinião mostraram os trabalhistas de Jeremy Corbyn 20 pontos atrás dos conservadores de May. A dúvida é saber como esta superioridade será traduzida na disputa por vereadores e prefeitos.

May foi eleita por seu partido em julho de 2016 substituindo David Cameron e, como líder e chefe de governo, passou por poucas eleições parciais, embora nada da envergadura das eleições locais ou das parlamentares de junho.

John Hess, professor de Ciências Políticas na Universidade de Nottingham, considera que os trabalhistas terão motivos de preocupação para as eleições de 8 de junho no caso de uma redução de seu percentual nacional de voto.

"May está se concentrando nos redutos trabalhistas", explicou à AFP.

May surpreendeu a todos com a antecipação das eleições nacionais, inicialmente previstas para 2020, e argumentou que precisava fortalecer sua posição antes de iniciar as negociações de saída do Reino Unido da União Europeia.

A coincidência das duas votações alterou a natureza das eleições locais, que em geral terminam com uma punição ao governo nacional.

O ex-primeiro-ministro conservador David Cameron viu seu partido perder quase 500 vereadores depois de vencer as eleições legislativas de 2012.

Em um contexto impregnado por um Brexit cada vez mais tenso, os conservadores desejam alinhar os britânicos ao redor da primeira-ministra e desprestigiar o impopular Corbyn, enquanto os trabalhistas se concentram nos temas locais.

Na quarta-feira, durante a sessão de dissolução do Parlamento para as eleições, May atacou a UE e denunciou que "políticos e funcionários europeus fizeram ameaças ao Reino Unido" de maneira deliberada "para influenciar os resultados das eleições de 8 de junho".

Na Escócia, politicamente dominada pelo separatista Partido Nacional Escocês (SNP), a disputa tem como pano de fundo a intenção de celebrar um novo referendo de independência.

A principal cidade em disputa é Glasgow, há quase 40 anos administrada pelos trabalhistas e que resistiu até agora ao discurso nacionalista.