Thiago Gagliasso comemora novo cargo público, mira carreira política e descarta TV: 'Sou um ator muito ruim'

Bia Rohen

Thiago Gagliasso procurou o EXTRA  para se defender das acusações de "funcionário fantasma" que teria recebido durante o exercício de seu cargo público na Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC). O encontro foi marcado na Biblioteca Parque, no Centro do Rio, onde funciona a Secretaria. Embora diga que use o metrô, Thiago foi de moto para o trabalho nesta segunda-feira. Ao chegar ao local, a cada cumprimento,  fazia piada sobre o suposto apelido.  "Olha aí o fantasminha", brincava.

Suado do calor que fazia na cidade e desejando morar em São Paulo para escapar do clima, Gagliasso fez uma transmissão ao vivo na qual usava a câmera frontal para ajeitar os cabelos despenteados pelo capacete, provava que o encontro com a jornalista aconteceu e mostrava demais funcionários o cumprimentando, para reiterar seu depoimento em que afirma ter mais de 95% de presença na Secretaria.

"A pessoa que falou isso tem a responsabilidade pela palavra dela. Essa fama não existe. Estou sempre fora daqui porque, na verdade, faço muitas reuniões com a iniciativa privada. E eu sou hiperativo, nem que eu quisesse, conseguiria ficar em casa. Meu superintendente (Ruan Lira, ex-secretário de Cultura) pôde escolher 20 pessoas para levar para a Casa Civil com ele, e me escolheu. O fantasminha está bem, então. É melhor eu ficar sendo fantasma mesmo", diz.

"Já faltei por febre, não justifiquei e levei uma falta"

A vida pública de Thiago Gagliasso está de mudança. Na última segunda-feira, o irmão de Bruno Gagliasso deixou o cargo, para qual foi nomeado em abril deste ano. Agora, ele faz parte da recém-inaugurada Subsecretaria de Grandes Eventos, da Secretaria de Estado da Casa Civil e Governança. Apesar da novidade, ele nega que tenha se ausentado da Secretaria,  mesmo nos últimos dias.

"Quando eu tive atividades externas, fui com aprovação do meu superintendente. Nunca teve uma ausência à toa. Já faltei por febre, não justifiquei e levei uma falta. Isso acontece com qualquer funcionário", conta.

"Consigo me comunicar com o setor privado"

Embora na pasta de seu primeiro cargo público justifique sua nomeação pelo número de seguidores (atualmente, são 419 mil no Instagram), o ator pondera e diz que seu nome é relevante pela sua relação com a iniciativa privada.

"Consigo me comunicar com esse setor, que é o que gera dinheiro para o Estado. As pessoas estão voltando a acreditar no Rio.  A Subsecretaria veio para filtrar os eventos do Rio, seja o Papai Noel no Maracanã a, se Deus quiser, a Fórmula 1. Não sei se posso falar sobre isso, mas tomara que venha para cá", explica.

Thiago diz que, entre os projetos realizados por ele enquanto esteve na Secretaria de Cultura do Estado, está o que é chamado Projeto Evolução na escola de samba Beija-Flor. "Revelamos mais de 40 atores e livramos duas meninas do suicídio", afirma ele, que ainda fala de outro trabalho: "Fiz parte da transição da Biblioteca Parque, de um prédio que era privado, que foi reativada no braço".

"Estou aqui para aprender e, quem sabe, seguir carreira"

A nova Subsecretaria dialoga com todas as demais secretarias. Thiago revela que vai continuar efetivamente com o ramo da cultura, mas que também fará uma "curadoria" de ações de esporte e turismo. Conforme publicado no Diário Oficial, o novo cargo do ator não terá alterações de custo para o Estado. Ele continuará trabalhando oito horas por dia, de segunda a sexta-feira. Entretanto, ele diz que o aumento de responsabilidade pelo mesmo salário não é uma questão

"Não estou ali pelo dinheiro. Tenho meus negócios como Relações Públicas e ajudo meus pais com os restaurantes. Quero entender como a política funciona. É claro que o salário ajuda. Líquido, não são nem R$ 4 mil. Óbvio que é um bom salário, muito acima da média da realidade do país, mas estou aqui para aprender e, quem sabe, seguir carreira. Estou aberto, mas adorei a política", revela.

 

"Meu lado ator fica um pouco fora de jogo aqui"

Thiago acredita que sua carreira como ator não é relevante para o cargo que ocupa. Entretanto, sua primeira nomeação foi para trabalhar diretamente com arte, cultura e economia criativa. Entre suas realizações no cargo anterior, segundo ele,  estavam festivais de música, aulas de teatro e capacitação de mão de obra para carnaval.

"Meu lado ator fica um pouco fora de jogo aqui, esse meu lado funciona só para contar piada às vezes. Sou um ator muito ruim, bom é meu irmão. Na verdade, tenho que ser imparcial. O cinema vive uma transição, vivendo a democratização da cultura. Filme brasileiro tem sua importância e eu sou a favor de incentivo ao cinema, mas que ele seja distribuído. Tem que ser para todo mundo, não importa se é de esquerda ou direita", diz.

'Achava TV um saco, nunca tive tesão'

Longe das telinhas desde 2011 e cada vez mais empolgado com a vida política, Thiago diz que nunca gostou de atuar em frente às câmeras e que não pretende voltar a fazer novela.

"TV é muito chato. Nunca gostei de gravar. Achava um saco, nunca tive tesão. Agora eu posso falar porque não estou na televisão. Não pretendo voltar nem ferrando, só me derem um salário muito alto, milhões, mas eu também não valho isso, então está tudo certo. Ser irmão do Bruno, consagrado na profissão, tem um peso muito grande. Sempre vivi uma cobrança muito desnecessária, da mídia e do público. Não me adaptei à profissão. Não me dediquei e paguei o preço disso. Fiz novela em 2008, meu contrato com a emissora era longo e eles não sabiam o que fazer comigo", revela.