Thomas Traumann: a eleição nas mãos dos ciristas

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A pesquisa Datafolha mostrou que dois de cada três eleitores do ex-ministro Ciro Gomes podem mudar seu voto até outubro e o destino dessa escolha pode decidir a eleição. Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com chances reais de vencer já no primeiro turno, os eleitores light de Ciro são a chave da campanha nos próximos meses.

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Perguntados pelo Datafolha em quem votariam como segunda opção, 44% dos ciristas escolheram Lula, 12% Jair Bolsonaro e 12% se disseram indecisos. Se estes ciristas realmente mudassem para Lula, o favoritismo do petista cresceria exponencialmente. Por tática, Lula e o PT tem evitado responder aos ataques de Ciro dos últimos meses, numa tentativa de não gerar antipatia. Mas é certo que haverá uma ofensiva para conquistar esses votos nas últimas semanas de setembro, caso o quadro atual se mantenha.

O voto útil, ou estratégico como é conhecido na ciência política, faz parte do processo de decisão do eleitor brasileiro. Nas duas últimas semanas da campanha de 2014, a metade dos eleitores de Marina Silva mudou para Aécio Neves, considerando que ele tinha mais chances de derrotar o PT. Em 2018, as candidaturas de Geraldo Alckmin, Marina Silva e João Amoêdo encolheram na reta final com a onda de que Jair Bolsonaro poderia vencer no primeiro turno.

“Esse voto estratégico já está acontecendo nesta campanha desde o ano passado. Numa eleição na qual o candidato em segundo lugar, Bolsonaro, é muito rejeitado, e a disputa muito polarizada, o eleitor está antecipando a decisão que em outras campanhas ficaria para o final”, avaliou Felipe Nunes, diretor da empresa de pesquisas Quaest.

Na pesquisa Genial/Quaest de junho, 37% dos eleitores de Ciro responderam que aceitariam votar em Lula para derrotar Bolsonaro já no primeiro turno. Na mesma pesquisa, questionados a comparar se tinham mais medo da continuidade de um governo Bolsonaro ou da volta do PT ao poder, 49% dos eleitores de Ciro disseram temer a reeleição do presidente e 31% responderam que seria ter o PT de novo no Planalto. Em outro item, 84% dos ciristas afirmaram que Bolsonaro não merece um segundo mandato e 30% que Lula merece voltar a ser presidente.

A campanha de 2022 é atípica. Ela começou ainda no ano passado, se afunilou mais cedo e o candidato à reeleição não está em primeiro lugar. É a primeira vez que um presidente enfrenta um ex-presidente. Desde 2006, não se tem uma disputa com dois líderes tão predominantes. Naquela oportunidade, Lula e Geraldo Alckmin tiveram somados 90% dos votos válidos no primeiro turno. Um quadro similar pode se repetir em 2 de outubro.

Mas como tudo nessa campanha foi antecipado, não se deve descartar a hipótese de que os eleitores que fariam voto útil também se adiantaram. A empresa Ideia entrevistou grupos focais de eleitores que não citam Ciro Gomes espontaneamente, mas escolhem o ex-governador do Ceará na pesquisa estimulada. O resultado, apresentado a um grupo restrito do mercado financeiro na semana passada, mostra que se depender desses eleitores light de Ciro, haverá segundo turno. Os ciristas entrevistados pela Ideia rejeitam igualmente tanto Lula quanto Bolsonaro.

Para Maurício Moura, diretor do Ideia, existem duas premissas necessárias para a campanha terminar no primeiro turno: a falta de competividade de uma candidatura de centro-direita e a fuga dos eleitores light de Ciro para Lula. “A primeira premissa está dada, com os índices até o momento fracos de Simone Tebet. A segunda ainda não. A capacidade de Ciro manter esses eleitores fiéis pode ser a chave da eleição”.

*Thomas Traumann é jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social

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