Thomas Traumann: proposta de segurança pode ser a chave da eleição, aponta pesquisa

Faltando menos de três meses para o primeiro turno, a chave da eleição no Estado do Rio parece ser a proposta para a segurança pública e não a recuperação econômica, como em outros estados, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira.

Perguntados sobre qual o principal problema do estado, 37% dos eleitores fluminenses responderam que é a violência, 6 pontos percentuais a mais que no mês passado e 14 pontos percentuais a mais que em maio. O combate à pandemia e as propostas para a saúde foram a resposta de 21% (igual ao mês de junho). A economia teve 16% de citações (crescimento de três pontos percentuais em um mês).

Para comparar: a pesquisa Genial/Quaest em São Paulo mostrou 30% dos paulistas preocupados com economia e 15% com violência. Em Minas Gerais, 30% dos pesquisados citaram a economia e apenas 3% a segurança. Na média nacional, 44% dos eleitores consideram a economia o maior problema do país. Somente 4% dos brasileiros citam que o combate à violência deve ser a prioridade do próximo governo.

Esta singularidade da pauta do eleitor do Rio é uma possível explicação para o crescimento da desaprovação da gestão do governador Cláudio Castro. Segundo a Genial/Quaest, em um mês os que estão insatisfeitos com o governo subiram de 20% para 27%, enquanto os que acham a gestão regular caíram de 40% para 35%.

Governador há menos de dois anos, Cláudio Castro tem investido em operações ostensivas e violentas como marca da sua gestão na segurança pública. Claramente não está funcionando. O aumento da desaprovação do governo ocorreu em todas as regiões, faixas etárias, renda, escolaridade e gênero do estado. Na cidade do Rio, os que desaprovam Castro já são maioria, 39%, enquanto só 23% aprovam.

A consequência natural dessa queda na aprovação do governo foi que, segundo a pesquisa, Castro está empatado tecnicamente com o deputado federal Marcelo Freixo. Deve-se observar, porém, que Freixo ainda não convenceu os eleitores com uma proposta alternativa a de Castro. No recorte exclusivo entre aqueles que acham que a violência é o maior problema do Rio, 34% disseram que vão votar pela reeleição de Castro, 23% em Freixo e 23% pretendem votar branco, nulo ou se abster.

As promessas de dar mais segurança à sociedade é uma marca das eleições do Rio. Sergio Cabral foi reeleito com a política das UPPs e, quatro anos atrás, Wilson Witzel venceu com um programa de “tiros na cabecinha” que afundou junto com o seu mandato. 2022, ao que parece, não será diferente.

*Jornalista e consultor

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