"Thor: Amor e Trovão" abraça o romantismo e o ridículo em nova aventura épica

Por Camila Gomes

Pôster oficial do filme
Pôster oficial do filme "Thor: Amor e Trovão" (Divulgação/Marvel Studios)

Thor é um herói que carrega a dor de muitas perdas: da mãe, do pai, do irmão, do instrutor e de Asgard. O Vingador passou pelo luto de não ter conseguido salvar metade do universo, quando o sofrimento pelos entes queridos ainda não tinha aliviado.

Ele é um personagem que já precisou ser reinventado para continuar no Universo Cinematográfico da Marvel e, mesmo depois de ter provado seu valor, talvez Thor: Amor e Trovão seja sua maior jornada para reencontrar sua essência, a tanto tempo perdida nesta imensidão de sacrifícios, pesar e luto. E isso vira piada no filme, como quase tudo na aventura dirigida por Taika Waititi.

O humor é a grande chave do filme e é por isso que ele funciona tão bem, assim como “Thor: Ragnarok” (2017). O cineasta abraça o ridículo, o escrachado e até mesmo o brega (no melhor sentido da palavra) para mais um momento épico de tantos outros que Thor já viveu.

Depois de ter partido com os Guardiões da Galáxia ao final de “Vingadores: Ultimato” (2019) para o espaço, o filho de Odin descobriu um novo propósito: começou a malhar para reconquistar o corpo de deus, meditar em busca da paz interior e, claro, salvar o dia sempre que for necessário. Quando descobre que um cruel vilão está empunhando a Necroespada, um artefato capaz de matar os deuses imortais, ele parte em uma investigação com Korg (Waititi) e descobre que o vilão planeja dizimar o Olimpo. Mas para isso, ele precisará atrair Thor para uma armadilha a fim de conseguir concluir a missão.

Tudo isso o leva de volta à Terra, onde reencontra a ex-namorada Jane Foster (Natalie Portman) e descobre que ela não apenas se tornou uma heroína, como também é capaz de empunhar seu antigo martelo, o Mjolnir. A atriz não retorna apenas como o interesse amoroso do herói, mas seu arco ganha um novo peso ao retratar o câncer de mama vivido pela personagem. Ser uma heroína digna dá vitalidade para ela viver, sair da zona de conforto, se divertir pelo espaço e proteger as pessoas, mas também tira toda a força que seu corpo precisa para se curar da doença, e Portman entrega uma performance poderosa em ambas as versões da cientista brilhante.

Ao lado da nova rei de Asgard, a Valquíria (Tessa Thompson), ela consegue esquecer dos problemas por alguns instantes. As duas formam um time necessário e cômico, que chega a ser uma pena não terem tantas cenas juntas.

Estreando como um dos filmes mais curtos da Marvel Studios, o longa equilibra bem o foco dos seus personagens, não se perde em narrativas paralelas e não inclui participações surpresas só para gerar comoção nos cinemas. Waititi não tenta controlar quantas piadas fazem por cena para tornar o filme mais “sério e adulto” e Chris Hemsworth já interpreta Thor há tempo demais - ele sabe que não precisa extrapolar no drama para que o público sinta a dor do herói.

Em mais uma das grandes transformações que Christian Bale realiza em sua carreira, o ator retrata como Gorr abandonou sua humanidade ao perder todos aqueles que amava e perceber que não havia ninguém se esforçando para salvá-los, não importa o quanto ele rezava pedindo ajuda dos deuses que sempre teve fé e defendeu.

Thor não é um herói ingênuo, ambicioso e com sede de batalha. Ele pode ter perdido tudo mais de uma vez, mas em “Thor: Amor e Trovão”, ele compreende a necessidade do perdão, da bondade, continua sendo um romântico incorrigível e segue sempre seguindo seu coração.

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