Tia diz que funcionário morto por empilhadeira no Carrefour não tinha preparo para usar o equipamento

Redação Notícias
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Matheus morreu enquanto trabalhava na unidade Limão do Carrefour - Foto: Google Maps
Matheus morreu enquanto trabalhava na unidade Limão do Carrefour - Foto: Google Maps
  • Operador do Carrefour morreu na unidade Limão ao ser esmagado por uma empilhadeira quando a operava

  • Tia de Matheus Silva afirmou que o sobrinho não tinha preparo para manusear este equipamento

  • Trata-se de mais uma morte em uma loja do Carrefour, que tem colecionado episódios de violência e racismo nos últimos anos

Tia do funcionário morto em uma loja do Carrefour no último domingo, Vera Lúcia Silva disse que o sobrinho não tinha preparo para utilizar o equipamento que acabou matando-o. Matheus Silva tinha 20 anos e faleceu em um acidente na unidade do Limão, Zona Norte de São Paulo.

Por volta do meio-dia de domingo, o operador manejava a empilhadeira em um dos galpões de estoque do supermercado. Segundo Vera, ao tentar fazer uma curva, ele não suportou o peso do equipamento, que caiu sobre ele.

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"Eu quis saber o motivo de ele estar exercendo uma função que não era dele, manuseando uma empilhadeira sendo que ele não tinha nem preparo para aquilo. Mas a gente não soube, não souberam explicar pra gente", declarou a mulher ao G1.

A perícia esteve no Carrefour Limão na noite de domingo e apurou as causas do acidente.

Em nota, a empresa afirmou que prestou o atendimento inicial e acionou o corpo de bombeiros e o SAMU “imediatamente após o acidente”. “O acesso à vítima e ao local do acidente ficou restrito a pedido da Polícia para a realização da perícia”, apontou.

A unidade foi fechada aos clientes e as atividades, suspensas, “em respeito aos familiares e colegas de trabalho do colaborador”. “Estamos à disposição das autoridades para contribuir com as investigações. Neste momento de imensa dor, estamos em contato com a família, dando todo o suporte necessário e também apoio psicológico.“

Carrefour tem histórico recente de polêmicas, mortes e racismo

Homem negro espancado até a morte

A morte de Matheus não é caso isolado no histórico recente do Carrefour. Em novembro do ano passado, dois seguranças brancos do supermercado espancaram e mataram João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos. O caso aconteceu no bairro Passo d’Areia em Porto Alegre. Os responsáveis pelo crime foram detidos.

João teria discutido com os seguranças antes da briga começar. Segundo a Brigada Militar, a confusão teria iniciado no caixa do supermercado, envolvendo o homem e uma funcionária. Os funcionários perseguiram o homem até o estacionamento, onde o espancaram até a morte.

Corpo Escondido

Em uma loja em Recife, em agosto de 2020, o corpo de um colaborador foi escondido com guarda-sóis, tapumes e caixas. Moisés Santos sofreu um infarto enquanto trabalhava no estabelecimento no bairro Torre, na capital pernambucana.

Corpo de representante de vendas que morreu enquanto trabalhava unidade do Carrefour no Recife foi coberto com guarda-sóis -  Foto: Reprodução/Redes Sociais
Corpo de representante de vendas que morreu enquanto trabalhava unidade do Carrefour no Recife foi coberto com guarda-sóis - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Moisés sofreu o mal súbito às 8h e o SAMU foi acionado, mas não chegou a tempo. O corpo do colaborador só foi retirado às 11h. No meio tempo, foi escondido e a loja continuou funcionando normalmente.

O Carrefour pediu desculpas na ocasião e disse que errou ao manter o estabelecimento funcionando.

Demissão após denúncia de racismo

Em julho de 2020, uma auxiliar de cozinha negra foi demitida depois de denunciar um caso de racismo e intolerância religiosa em uma unidade do Atacadão, hipermercado que faz parte do Grupo Carrefour. O caso aconteceu na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Nataly Ventura, de 31 anos, relatou à GloboNews que foi ofendida por um funcionário do local, Jeferson Emanuel Nascimento, por ser negra e do candomblé. Ao ser demitida, a justificativa foi de que a funcionária havia “se envolvido em situações de conflito com outros funcionários”.

Segundo informações do Ministério Público do Trabalho, revelada pela GloboNews, Jeferson teria escrito “só para branco usar” em um avental. Ele assinou a mensagem. O MPT entrou com uma ação contra o hipermercado.

Na ocasião, o Atacadão disse à emissora que abriu uma sindicância para apurar o que havia ocorrido. Jeferson Emanuel Nascimento foi desligado.

Agressão dentro da loja

Um cliente do Carrefour no bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foi agredido por seguranças depois de abrir uma lata de cerveja dentro da loja. O caso aconteceu em outubro de 2018.

Vídeos das câmeras de segurança da unidade mostraram que Luís Carlos Gomes abriu a lata de cerveja e, depois, foi perseguido pelo gerente e por um segurança. Os dois o encurralaram no banheiro e deram um mata-leão no homem. O homem, que é negro e deficiente físico, alega que iria pagar pela bebida.

Luís Carlos Gomes acusou o Carrefour de racismo e pediu indenização de R$ 200 mil. A empresa divulgou uma nota em que dizia sentir “profundamente pela situação a qual nosso cliente foi submetido e informa que, logo após rigorosa apuração, os colaboradores envolvidos foram desligados. A rede repudia veementemente qualquer tipo de violência e reforça que, constantemente, realiza treinamentos e reorienta suas equipes, a partir da prática do respeito que exige dos seus colaboradores e prestadores de serviço. A empresa esclarece ainda que permanece colaborando com as investigações".

Limite de vezes para ir ao banheiro

Em agosto de 2018, a 5ª Vara do Trabalho de Osasco proibiu que sete unidades do Carrefour controlassem a ida de funcionários ao banheiro. A decisão foi uma resposta após uma ação civil pública do Sindicato dos Comerciantes de Osasco e Região.

A entidade explicou que operadores de atendimento e de telemarketing tinham de registrar o nome em uma fila eletrônica para poderem ir ao banheiro. Em caso de urgência, um superior deveria ser avisado.

Na decisão, a juíza responsável, Ivana Meller Santana, considerava a situação degradante e constrangedora para os funcionários.

A decisão tomada era liminar e o Carrefour, na época, afirmou que iria recorrer.

Tortura em 2009

Um caso mais antigo, de agosto de 2009, foi quando Januário Alves de Santana, um vigilante, foi espancado e torturado no estacionamento de uma loja do Carrefour em Osasco.

Januário, um homem negro, era acusado de roubar o próprio carro. Ele esperava do lado de fora do carro quando ouviu de seguranças que era “impossível um neguinho ter um EcoSport”, segundo o G1. Cinco funcionários do Carrefour estavam envolvidos no crime.

A vítima levou cabeçadas, socos e coronhadas para “confessar” o roubo do carro, que era dele. Januário perdeu um dente e teve de passar por cirurgia.

Na época, o Carrefour divulgou uma nota para informar que os funcionários envolvidos foram afastados. A empresa ainda disse que colaborava com a investigação.