Tia Ma: amor não é sinônimo de sofrência e mulheres não são frágeis

Amor não é sinônimo de sofrência

Por Maíra Azevedo (@tiamaoficial)

O Brasil é de fato o país da fake news! Uma das primeiras mentiras ensinadas é sobre a fragilidade feminina. O patriarcado nos deixou como herança cruel esse olhar viciado de que as mulheres merecem menos ou que podem ser tratadas como cidadãs de menor importância.

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Ser mulher aqui nos trópicos é viver em desvantagem. De acordo com a ONU, o Brasil é considerado um dos países mais perigosos para as mulheres. E se você faz os recortes de raça e de orientação sexual, os índices perversos são ainda mais alarmantes.

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Na infância, enquanto estamos construindo a nossa identidade e nosso caráter, recebemos informações que vão nortear o nosso olhar subjetivo e coletivo. É na infância que aprendemos que, muitas vezes, o amor é doloroso. Que as histórias de amor são recheadas de dores e de sofrimento, para que no final, o casal seja feliz para sempre.

Mulheres não são frágeis, mas por conta da ignorância de muitos, estão e são mais vulneráveis

Agora, junte as duas informações que recebemos ao longo da vida. A de que mulheres são frágeis e devem ser submissas, e a de que o amor é sinônimo de sofrimento. Essa mistura cruel resulta em várias aberrações, entre elas os índices alarmantes de violência contra a mulher e de feminicídio.

Ainda hoje, temos aqueles e aquelas que acreditam que dentro de um relacionamento a agressões física, sexual e emocional fazem parte do contexto. E que é natural ocorrer violência dentro da vivência a dois. E as mortes dos corpos femininos vão sendo naturalizadas por muitas pessoas. É preciso romper com esse ciclo. E como dizia minha vó, mal a gente corta pela raiz.

Temos o dever de ensinar às nossas crianças que amor só rima com dor na gramática. Na vida, um relacionamento deve ser saudável. Que as pessoas podem viver com quem elas quiserem, desde que as outras pessoas também queiram viver com elas.

Que a decisão de uma mulher em se separar não pode, de forma alguma, resultar em morte. E que a Lei Maria da Penha, que acabou de completar 13 anos, é um instrumento poderoso para assegurar direitos e até mesmo a vida. Que mulheres não são frágeis, mas que por conta da ignorância de muitos, estão e são mais vulneráveis. E acima de tudo, que a luta pela liberdade de amar é um compromisso de todas as pessoas.

Sobre a autora: Jornalista e humorista, Maíra Azevedo é conhecida pelos conselhos amorosos diretos que dá no programa “Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo.