Tiane Endler: ídolo no país, goleira chilena é uma das peças fundamentais para o PSG destronar Lyon e ser campeão francês

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Do alto do seu 1,82m, Christiane Endler já vê de cima cada degrau deixado para trás rumo ao topo da carreira. Nesta sexta-feira, a chilena de 29 anos do PSG está prestes a superar mais um. Depois de derrubar o multicampeão feminino Lyon nas quartas de final da Champions, agora a equipe pode desbancar o rival no Campeonato Francês (o Lyon venceu consecutivamente as últimas 14 edições do torneio) e conquistar o primeiro título nacional.

Na última rodada, nesta sexta-feira, basta ao PSG vencer o Dijon, em casa, às 15h45 (horário de Brasileira). Com um ponto a mais que o Lyon, que enfrenta o Fleury 91, o time de Endler pode até perder desde que o rival tropece.

A eficiência e segurança da goleira sob as traves têm sido um dos pilares do PSG, que tem no seu quadro nomes como Formiga, Irene Paredes e Marie Katoto. No Francês, o talento apareceu mais uma vez no último domingo. Em jogo adiado da 16ª rodada, ela e o time seguraram outra vez o Lyon, num empate em 0 a 0 que pode ser considerado a final do campeonato. Afinal, a única derrota das atuais campeãs foi justamente para o PSG no primeiro turno.

Tiane, como é conhecida, tem fechado o gol nas últimas temporadas que acompanham o crescimento da equipe. Até agora, o PSG sofreu apenas quatro gols em 19 partidas, a defesa menos vazada do campeonato. E está invcita na competição. Mesmo na derrota para o Barcelona nas semifinais da Champions, a goleira foi um dos destaques. Não à toa, ela integrou a seleção da principal competição europeia.

O mundo ainda não foi conquistado. Nos últimos dois anos, bateu na trave e foi finalista entre as goleiras do Prêmio da Fifa. Nesta temporada, ela é considerada a favorita para o posto.

– Desportivamente ela é incrível, suas habilidades como goleira, beneficiadas por seu biotipo alemão, são invejáveis. Qualquer time do mundo quer ter uma Tiane defendendo seu gol, pois ela tem personalidade, liderança, não se apequena diante de rivais de peso. É completa tanto para jogar com os pés quanto cortar bolas – analisa a jornalista chilena Rocío Ayala, que cobre futebol feminino.

O sucesso no futebol europeu, é claro, segue sendo um trampolim na sua carreira. Porém, é sua estreita ligação com seu país natal que a faz extrapolar as quatro linhas. Hoje, Tiane é o rosto do futebol feminino no Chile. Estampado em várias marcas em comerciais e ligado ao desenvolvimento da modalidade. Ela foi uma das fundadoras da Associação Nacional de Jogadoras de Futebol e da Escola Christiane Endler para meninas, com unidades em várias partes.

Capitã e principal nome da seleção chilena – que conseguiu feitos históricos como a primeira participação em Mundial, em 2019, e agora nos Jogos Olímpicos–, Tiane lidera a equipe e luta para que outras mulheres sigam o seu caminho com menos percalços. Suas impressionantes defesas mundo afora, como a atuação diante da seleção americana na Copa da França, ganham destaque pela qualidade técnica, mas, sobretudo, mostram ao país que outras Tianes só existirão com investimento.

– Ela junto com as jogadoras da seleção chilena têm sido fundamentais para gerar pressão sobre os clubes para que comecem a profissionalizar os times e melhorar o nível do campeonato local. Em tempos que o Chile resistia a falar de futebol feminino, ela nos obrigou. Tudo o que ela é neste momento não se compara com o que será, pois um pedacinho dela estará em todas as meninas que se motivaram a jogar futebol garças a ela. Uma inspiração e uma referência, que não existia quando ela começou a jogar – diz Rocío.

A afinidade da sociedade chilena com a seleção nacional, muito maior do que o clubismo, eleva Tiane ao status de ídolo nacional. Seu êxito no exterior e com a camisa do Chile são suficientes para quebrar as barreiras que ainda existem na modalidade.

Ainda que seu nome esteja amplamente associado do Colo Colo. Tiane contribuiu imensamente, com defesas de pênaltis na final da Libertadores de 2012, para que o time ganhasse o título e se tornasse o primeiro clube chileno a conquistar o torneio no feminino e no masculino. Ali, é considerado uma virada na modalidade no país.

– Ela é esportista muito respeitada e está dentro da lista de esportistas que conquistaram coisas grandes para nosso país. Quando Chile se classificou aos Jogos Olímpicos, ela disse o seguinte: “Estamos demostrando que a mulher chilena é forte, esportista e capaz de conquistar tudo o que se propõe". Me parece que essa frase reflete que ela sempre está conectada e preocupada com o desenvolvimento da mulhera chilena – exemplifica Nahla Hassan, jornalista da TNT Sports do Chile.

Ídolo no país, a sua vida também é capaz de levantar debates políticos. No mês passado, ela se casou com a também chilena Sofía Orozco, em Paris. Não apenas por morar na França, mas pelo fato de que no Chile ainda não é permitido casamento homoafetivo igualitário. Por lei, existe a união civil apenas. A notícia promoveu discussões nas redes sociais.

–A união civil não entregra aos casais do mesmo sexo os mesmo direitos que dados aos casais heterossexuais. Por exemplo, se duas mulheres têm filhos a lei chilena não as reconhece como mães – diz Nahla Hassan.

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