Tibério no remake de ‘Pantanal’, o mineiro Guito aprende a surfar no Rio e circula de metrô pela cidade: ‘O bigodão me entrega’

A virada do ano chegou junto com uma virada na vida de Guito. Desde o dia 3 de janeiro, o violeiro trocou Araxá, no interior de Minas Gerais, pela imensidão do Rio de Janeiro para as gravações de “Pantanal” nos Estúdios Globo. Após uma temporada no sul-mato-grossense tomando banho no Rio Negro, agora ele tem tirado onda, literalmente, no mar das praias da Barra e do Recreio. E na tela da TV, como intérprete do peão Tibério. É sua estreia como ator, mas nem parece.

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— Meu curso de interpretação está acontecendo agora, na prática. Eu sempre acreditei na minha capacidade de fazer o Tibério porque é um papel muito próximo do que eu sou na vida real. O elenco da novela e os diretores têm sido meus melhores professores — conta ele, que tem aproveitado bastante o tempo livre na Cidade Maravilhosa: — Estou surfando na pranchinha pequena, já “dropando” (fazendo manobras). Agora, quero testar o kitesurf. Não paro, não. Já fiz um monte de trilha, subi a Pedra da Gávea, arrumei um haras para andar a cavalo... Circulo pela cidade de metrô, de bicicleta... Não tenho carro.

No transporte público, onde já não é mais exigido o uso da máscara, ele diz que logo é reconhecido pelas pessoas.

— O bigodão me entrega, né? O pessoal até acha estranho eu estar dentro do metrô, se me veem no Pantanal, na televisão. Mas mexem comigo: “Ô, Tibério!”. E eu respondo: “Oba!”. Às vezes, quando estou pedalando, me gritam de dentro do carro também — diverte-se ele, agora famoso e com status de galã, aos 37 anos: — Estou meio abobado com isso ainda. De vez em quando eu falo pra mãe dos meus filhos: “Olha, o trem tá bão pro meu lado aqui, hein?”. Já avisei que não sei dar beijo técnico, é tudo de verdade (risos). Ela não tem ciúme, a gente tem uma relação boa.

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Discreto em sua intimidade, Guito prefere manter o nome da mulher com quem se relaciona e os dos dois filhos, de 7 e 4 anos, longe dos holofotes da vida de celebridade, que lhe permitiu assistir aos desfiles do carnaval carioca, neste ano, num dos badalados camarotes da Sapucaí.

— Foi Renato Góes (ator que viveu Zé Leôncio na primeira fase da novela ) que me chamou. Quando cheguei na casa dele, disse que minhas vestimentas, bermuda e botina, não estavam de acordo com a ocasião. E me emprestou calça jeans, tênis e até pulseira pra eu ir. Lá no camarote, adorei toda a estrutura. Só achei ruim não ter cachaça nem Campari, as duas bebidas de que eu mais gosto. Mas, de graça, eu bebo de tudo — diz, bem-humorado, com o sotaque carregado.

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Nascido e criado em Lavras, ao sul de Minas Gerais, Diogo Brito (seu verdadeiro nome) também se formou por lá como engenheiro agrônomo. Durante dez anos, atuou no ramo, mas desde que se tornou pai decidiu trocar o emprego numa multinacional em São Paulo pela vida pacata no interior, fazendo o trajeto de volta. Abriu um empório em Araxá (MG), para comercializar queijos, vinhos, cachaças e temperos, e adquiriu uma rural de 1972 para rodar pelas estradas brasileiras fazendo pequenas apresentações como cantor e violeiro — ele tem sete canções disponíveis nas plataformas de streaming. Durante a pandemia, quando a situação financeira apertou, fechando o comércio e impedindo os shows, Guito arriscou a sorte mandando um direct pelo Instagram para Bruno Luperi, o autor do remake de “Pantanal”.

— O acaso a gente tem que provocar, né? Eu assisti à novela original ainda menino, vi a reprise no SBT e ainda uns pedaços no YouTube, várias vezes. Escrevi perguntando: “Como eu faço teste? Porque esse texto eu já sei de cór” — lembra.

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O neto de Benedito Ruy Barbosa nunca lhe respondeu na rede social. Mas ele conquistou o papel por intermédio de uma produtora de elenco, de quem conseguiu o telefone, após realizar os tais testes.

— Decorar o texto não é o complicado, mas sim imprimir verdade à cena. A mais difícil foi dizer “Eu te amo” pra Muda (Bella Campos). Eu só falei essa frase uma vez na minha vida, quando peguei meu filho recém-nascido nos braços. Fui criado sem precisar falar de sentimento dentro de casa. Tem uma música que diz isso: “A verdade está naquilo que não é dito”. Talvez eu não seja romântico. Sou muito parecido com Tibério, mas ele é mais coração mole que eu — assume o agora ator, que neste Dia do Sertanejo, 3 de maio, elegeu as cinco canções do gênero de que mais gosta, duas delas de autoria de Almir Sater, seu companheiro de cena na novela: — Ele é minha grande referência. Eu o via em “Pantanal” e depois em “Ana Raio e Zé Trovão”. Diria que isso (as duas novelas) influenciou totalmente no que sou hoje.

No último fim de semana, ele conversou por videochamada com Sérgio Reis, intérprete de Tibério na versão original de "Pantanal". Foi a primeira vez que os dois se falaram:

— Uma amiga minha da época da UFLA (Universidade Federal de Lavras) estava numa festa de casamento em que ele estava se apresentando. Ela fez a ligação e eu pude receber a bênção de Serjão. Ele disse que está gostando muito da novela, brincou comigo. Foi bom saber que ele está na estrada também, fazendo shows. Sérgio Reis é outra grande referência pra mim na música sertaneja.

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As preferidas de Guito

1. “Encantos da natureza”, de Tião Carreiro & Pardinho

2. “Um violeiro toca”, de Almir Sater

3. “Tocando em frente”, de Almir Sater

4. “Minas Gerais”, de Tião Carrero e Pardinho

5. “Iludido pelo acaso”, do próprio Guito, ainda não lançada (“Essa música foi psicografada, fiz em cinco minutos”, conta, animado)

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