Xi começa seu segundo mandato apelando à nação chinesa para "criar milagres"

Pequim, 20 mar (EFE).- O presidente da China, Xi Jinping, dedicou nesta terça-feia seu primeiro discurso após ser eleito chefe de Estado para um segundo mandato, e elogiou a grandeza da nação chinesa e ressaltar que "com seu espírito de invenção e criatividade ele certamente criará novos milagres".

Em discurso de caráter nacionalista, diante das 3 mil pessoas presentes no encerramento do plenário anual da Assembleia Nacional Popular, a reunião política mais importante do ano, Xi, de 64 anos, afirmou que "hoje, mais que nunca, o povo chinês está perto de completar seu sonho".

"Estou convencido que se os 1,4 bilhão de chineses mantenham seu espírito de trabalho árduo, alcançaremos nosso ambicioso objetivo de melhorar a vida da nosso povo", afirmou Xi.

O presidente disse que a China lutou "batalhas sangrentas" contra invasores, em alusão aos ataques ocidentais do século XIX ou a ocupação japonesa da primeira metade do século XX, mas é hoje "uma grande nação cujo orgulho é justificado" e que "avança apesar das dificuldades".

Xi afirmou que apenas mantendo o socialismo com caraterísticas chinesas a nação poderá cumprir seus sonhos, e afirmou que o país desfruta de "um ambiente favorável que antes era inimaginável, mas também enfrenta dificuldades e desafios sem precedentes".

Apesar do tom nacionalista de seu discurso, Xi ressaltou que a China "nunca buscará a hegemonia ou se enrolará no expansionismo", e declarou que "apenas aqueles que estão acostumados a ameaçar, podem ver alguém como uma ameaça", se referindo às vozes no Ocidente que temem o aumento econômico do gigante asiático.

"A magnífica história da nação chinesa está escrita pelo seu povo", insistiu Xi, não esquecendo de citar os grandes filósofos do país (Confúcio, Lao-Tsé e Mêncio) ou as invenções deste povo, com o papel, bússola, pólvora e a imprensa como grandes símbolos da inovação da pátria.

Apelando para outros grupos étnicos na China, Xi assegurou que as 56 nacionalidades do país se uniram para criar "uma grande família", e citou o Palácio de Potala, em Lassa (residência tradicional do Dalai Lama no Tibete) em uma lista de grandes projetos desta civilização, ao lado da Grande Muralha ou da Cidade Proibida.

"Somos parte de uma nova era, e para construí-la, se permanecermos unidos, nada pode nos impedir", concluiu Xi.

Nos 15 dias de duração do plenário, Xi conseguiu aumentar ainda mais seu poder - muito maior do que seus antecessores na presidência da China - modificando a Constituição nacional para abolir o limite de dois mandatos do chefe de Estado, podendo continuar à frente do país após o ano de 2023.

Além disso, ele colocou alguns de seus principais aliados em cargos de máxima responsabilidade, como Wang Qishan, novo vice-presidente do país, e Liu He, que agora responde como vice-primeiro-ministro para assuntos financeiros, desenvolvimento e reforma. EFE