Tigres tailandeses ameaçados de extinção são vistos em floresta e dão esperança a conservacionistas

Imagens de quatro mães e seis filhotes, feitas ao longo de 2016 por câmeras escondidas numa selva no leste da Tailândia, confirmam a presença do que é apenas a segunda população em crescimento em todo mundo, do tigre-da-indochina, ameaçado de extinção (AFP Photo/HO/DNP-FREELAND)

Conservacionistas comemoraram na terça-feira a descoberta de uma nova população de tigres na Tailândia como uma vitória “milagrosa” para uma subespécie quase dizimada pela caça ilegal.

Imagens de tigres, incluindo seis filhotes, feitas ao longo de 2016 por câmeras escondidas numa floresta no leste da Tailândia, confirmam a presença do que é apenas a segunda população em crescimento em todo o mundo, do tigre-da-indochina, ameaçado de extinção.

A única outra população em crescimento – a maior do mundo, com cerca de três dúzias de tigres – está localizada num corredor florestal no oeste da Tailândia, próximo à fronteira com Myanmar.

“A recuperação extraordinária dos tigres no leste da Tailândia é milagrosa,” disse John Goodrich, diretor do programa de tigres da Panthera, um grupo de preservação de felinos selvagens que apoiou a pesquisa.

As imagens feitas por câmeras escondidas na floresta mostram fêmeas e seus filhotes andando pela selva, e foram capturadas com a ajuda do grupo Freeland (que atua contra o tráfico de animais), e autoridades tailandesas.

Antigamente, o tigre-da-indochina, que costuma ser menor do que o tigre-de-bengala e o tigre-siberiano, passeava livre por boa parte da Ásia.

No entanto, hoje restaram apenas 221 animais, com a grande maioria localizada na Tailândia, e alguns tigres morando no país vizinho, Myanmar.

A caça ilegal agressiva, a lei enfraquecida e a perda de habitat, fizeram com que os animais se tornassem extintos no sul da China, Camboja, Laos e Vietnã, de acordo com os cientistas.

Fazendas de tigres na região também impulsionaram o tráfico ilegal, aumentando a demanda por partes dos corpos dos animais, que são apreciadas como talismãs e usadas em tradicionais remédios populares na China.

Conservacionistas e oficiais florestais atribuíram a história de sucesso da Tailândia ao aumento dos esforços contra a caça ilegal ao longo das últimas décadas.

No entanto, eles alertaram que as populações continuam vulneráveis e não serão capazes de prosperar sem um comprometimento sustentável de acabar com a caça e com o tráfico lucrativo de animais.

O complexo florestal Dong Phayayen-Khao Yai, onde os últimos filhotes foram avistados em algumas das 156 câmeras espalhadas pela região, ainda tem uma densidade modesta de 0,63 tigres por 100 quilômetros quadrados.

É uma taxa condizente com alguns dos habitats de tigres mais ameaçados do mundo, de acordo com a Freeland, mas significa que há uma população de pelo menos 23 felinos selvagens.

“É fundamental dar continuidade ao progresso feito pelo governo tailandês para intensificar a proteção aos tigres nas linhas de frente,” disse Kraisak Choonhavan, Chefe do Conselho do grupo.

“Enquanto o tráfico ilegal de tigres continuar, eles precisarão de proteção”.

AFP