TikTok prevê compartilhar seus algoritmos com governo americano para permanecer no país, diz jornal

Sob pressão do governo Biden e legisladores, o TikTok revelou detalhes de um complexo plano de US$ 1,5 bilhão para reorganizar as operações da empresa nos Estados Unidos, segundo fontes familiarizadas com as discussões, de acordo com o Wall Street Journal. Em conversas com legisladores de Washington e organizações da sociedade civil, a empresa expressou que prevê a criação de um sistema para monitorar os algoritmos secretos que alimentam o aplicativo.

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No novo arranjo proposto, de acordo com fontes ouvidas pelo WSJ, um monitoramento feito por terceiros verificariam o código dos algoritmos de recomendação de vídeo para detectar se ele foi manipulado ou se o governo chinês ou outros atores estrangeiros tiveram acesso. Se o governo americano ou os fiscalizadores terceirizados encontrem algo preocupante, haverá um processo para sinalizar os problemas ao TikTok - e, finalmente, ao governo dos EUA, se necessário.

A estratégia do TikTok para continuar operando nos EUA era, até então, uma incógnita. A chinesa ByteDance, dona do aplicativo, negocia com o Comitê de Investimentos Estrangeiros - (incluindo o Pentágono e o Departamento de Justiça) - há dois anos, desde o governo de Donald Trump, os rumos de sua operação no país.

Proposta de nova subsidiária

Para tentar resolver a segurança dos dados do usuário, a ideia seria criar uma nova subsidiária chamada TikTok US Data Security, ou USDS. A unidade seria encarregada de "proteger o aplicativo" e se reportar a um conselho de administração externo cuja responsabilidade fiduciária principal seria a Comitê de Investimentos Estrangeiros em vez da ByteDance.

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A TikTok gastou cerca de US$ 1,5 bilhão para migrar dados de usuários dos EUA para servidores Oracle, segundo fontes. Eles disseram que esperam que essas despesas custem ao TikTok de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão anualmente daqui para frente, caso a empresa chegue a um acordo.

O TikTok provavelmente também precisará da aprovação de Pequim para movimentar quaisquer estruturas que envolvam os algoritmos de recomendação de conteúdo da empresa.

Sob pressão

O cerco ao aplicativo chinês aumentou desde que políticos estaduais e federais tomaram medidas a fim de proibir o aplicativo em dispositivos emitidos pelo governo. O Congresso avalia um projeto de lei que proibiria o app em todos os dispositivos do governo federal. Pelo menos 14 estados americanos já proibiram o TikTok em aparelhos usados na administração pública.

Os legisladores se dizem preocupados com um suposto acesso aos dados de usuários americanos pelo governo de Pequim e até molde do que os americanos veem - acusações que a empresa nega.

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Com o plano em ação, o TikTok espera que sua reorganização planejada no país, junto com as medidas prometidas para garantir a supervisão de seus algoritmos de recomendação de conteúdo - convençam potenciais aliados em Washington de sua capacidade de operar independentemente da ByteDance.

“Não estamos esperando que um acordo seja feito”, disse uma porta-voz do TikTok. “Fizemos progressos substanciais na implementação dessa solução no ano passado e esperamos concluir esse trabalho para acabar com essas preocupações.”

Segundo apuração do WSJ, defensores da proposta do TikTok dizem que essas medidas tornariam impossível para o governo chinês intervir no aplicativo nos EUA. Ainda assim, alguns céticos dizem que não confiarão em um acordo enquanto a ByteDance for a proprietária do aplicativo.

Risco de encerrar operações nos EUA

Se o TikTok não chegar a um acordo com o Comitê de Investimentos Estrangeiroso, o governo americano pode tentar forçar a ByteDance a vender partes de suas operações ou deixar o mercado americano.

O escrutínio à rede social aumentou depois que uma investigação interna feita pela Bytedance admitiu que vários funcionários espiaram jornalistas da revista Forbes que investigavam a ligação da sucursal americana da empresa com a China.