Time de bolsonaristas estrelas de protestos fracassa nas urnas

DANIELLE BRANT E RENATO MACHADO
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Teve arminha, montagem com imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segurando número do candidato, apelo ao voto de conservadores e juras de amor à pátria. E nada disso impediu que Marcelo Stachin, do PRTB, terminasse em último lugar na briga pela Prefeitura de Sinop (MT). E não foi qualquer último lugar. Foram 560 votos (0,86%), bem menos do que o quinto colocado, Delegado Dr. Sérgio (PSL), que recebeu 2.531. O eleito, Roberto Dorner (Republicanos), obteve 32.114 votos. Marcelo Stachin, 34, é mais um exemplo de bolsonaristas que viram suas pretensões virarem pó nas eleições de 2020. Ele ficou famoso por acampar em Brasília, no que ficou conhecido como o QG Rural. Usando roupas militares e com discurso inflamado, postou vídeos atacando o STF (Supremo Tribunal Federal). Em sua biografia também há outros feitos. Em maio, foi alvo de operação de busca e apreensão no inquérito das fake news no STF. Teve perfis em redes sociais suspensos pelo ministro Alexandre de Moraes. Apesar do fracasso, agradeceu, em rede social, pelo "560 votos limpos" e disse que o resultado mostra "mais uma vez que precisamos nos organizar". Stachin não está na lista dos nove candidatos a prefeito que naufragaram mesmo recebendo apoio formal de Bolsonaro em suas "lives eleitorais gratuitas". Ainda assim, na campanha eleitoral em Sinop, procurou se associar ao presidente, tentando se vender como alguém que não faz parte da política tradicional. Não funcionou. Também figura frequente no acampamento que começou na frente do Palácio do Planalto e depois migrou por outros pontos da Esplanada dos Ministérios, o engenheiro Elano Holanda de Almeida, 66, se candidatou pelo PSL à Prefeitura de Corumbá (MS). Diferentemente de Stachin, não procurou associar sua imagem à do presidente na campanha. No entanto, cumpriu parte do corolário, ao postar foto ao lado de um cartaz em que pede a renúncia do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem uma relação de altos e baixos com Bolsonaro. Elano recebeu R$ 290 mil do fundo especial de financiamento de campanha, mas terminou a disputa em quarto lugar, com 4.051 votos (8,15%). Téo Gomes (PSD) não se elegeu vereador em Luziânia (GO). Em uma rede social, ele se apresenta como pai, contador e conservador. Há postagens replicando fake news sobre as eleições americanas e elogios a Bolsonaro, ao ex-ministro da Educação Abraham Weintraub e a Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo. Gomes era integrante do grupo 300 do Brasil, da extremista Sara Giromini. O movimento --também chamado ironicamente de 30 pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em uma conta mais próxima da realidade; ou 300 candidatos do Brasil, por palacianos-- montou um acampamento em Brasília para treinar militantes em defesa do presidente. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Giromini disse que alguns membros estavam armados, embora tenha dito que as armas eram apenas para defesa do grupo. Ela foi presa em junho e atualmente está em casa, usando tornozeleira eletrônica. Na época do acampamento, Gomes publicou hashtags pedindo a prisão de Alexandre de Moraes e afirmando haver uma ditadura do Judiciário. A fórmula, que poderia ser garantia de sucesso, desandou desta vez. Gomes recebeu 542 votos e terminou apenas como suplente na Câmara Municipal de Luziânia. Líder do MDC (Movimento Direita Conservadora), o psicólogo Wagner Cunha tentou uma vaga na Câmara de Uberlândia (MG). Com 222 votos, acabou indo para a suplência. Em uma rede social, ele tem postagens que contestam a urna eletrônica e defendem o voto impresso --na quinta-feira (19), após o pleito, publicou uma mensagem com esse tom. O ativista também posa com uma camiseta com a logomarca da Aliança Pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar. Também postou vídeos com críticas ao STF e a Maia. O fracasso nas urnas não ficou restrito aos "outsiders" que buscaram se associar ao presidente. Candidatos apadrinhados por deputados bolsonaristas também se frustraram em sua busca por uma vaga nas prefeituras e Câmaras. Um dos maiores exemplos vem da família da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Ela tentou emplacar o irmão Bruno como vereador de São Paulo. Ele recebeu 12.302 votos, insuficiente para ser eleito. O pai, João Hélio Salgado, saiu como vice de Major Paulo (Patriota) na disputa pela Prefeitura de Mairiporã (SP). Major Paulo teve 4.173 votos e terminou em terceiro. A cunhada Tatiana Flores Zambelli recebeu 190 votos para vereadora de Mairiporã e também não foi eleita. Ainda no domingo (15), a deputada questionou, em uma rede social: "O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?". Em alguns casos, candidatos que buscaram associar sua imagem à do presidente ao longo da campanha resolveram expor sua insatisfação com o resultado das urnas. Renan Leal (Podemos), candidato a vereador de Niterói (RJ) e irmão do deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ), escreveu, até o primeiro turno, mensagens elogiosas ao presidente. Leal teve 3.043 votos e não estará na Câmara de Niterói em 2021. Com a voz das urnas, o tom mudou. Ele disse que Bolsonaro havia perdido as eleições municipais e provavelmente a de 2022. "Fadou seus aliados e defensores a derrota eleitoral por vaidade, esqueceu que é na sola do sapato que fazemos política", disse, em post depois apagado. Filho 02 de Bolsonaro, o vereador reeleito Carlos Bolsonaro rebateu e lembrou que "na hora de tirar foto" Leal estava ao lado do presidente, "e agora isso".