'Tinha uma fé um pouco ingênua de que tudo seria muito mais rápido', diz Guedes em entrevista exclusiva

Thiago Bronzatto,, Marcello Corrêa e Manoel Ventura
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BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, admite que tem sido mais difícil do que imaginava tirar o seu plano liberal do papel em Brasília.

— Eu tinha uma fé um pouco ingênua de que tudo seria muito mais rápido e de que as transformações seriam muito mais profundas — diz o ministro em entrevista ao GLOBO publicada neste domingo.

Guedes também reconhece que o apoio de Jair Bolsonaro à agenda liberal vem caindo, mas diz que não pensa em sair do governo, porque tem "senso de responsabilidade".

— O presidente mesmo brinca que já foi 99%, agora é 97%, ele fala. Aí eu brinco: "Não, presidente, o senhor está em 65%" —afirma o ministro.

Desgastado pelo impasse do Orçamento de 2021, o ministro confessa que há pressões políticas para desmembrar a sua pasta, refundando o ministério do Planejamento, mas alega que o presidente nunca falou nisso "sério" com ele.

— Há, sim, algumas pressões para desmembrar. Mas o presidente não conversa sobre isso comigo. Ele nunca conversou sério disso comigo. Ele só brinca. Fala: “Olha, você sabe que, volta e meia, tem pressão política aí para fazer isso”. Eu falo: “Eu sei, presidente”. Mas a nossa capacidade de implementar uma política consistente, como estamos fazendo, depende de estar junto. Se tiver comando duplo, triplo na economia, rapidamente vamos para a desorganização.

Leia a íntegra da entrevista exclusiva para assinantes do GLOBO.