Óleo no Nordeste: Petróleo é o tipo mais prejudicial ao meio ambiente, dizem cientistas

Voluntária ajuda na remoção do óleo em Salvador, na Bahia (Foto: ANTONELLO VENERI/AFP via Getty Images)
Voluntária ajuda na remoção do óleo em Salvador, na Bahia (Foto: ANTONELLO VENERI/AFP via Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Análise do ‘DNA’ mostra que a substância é um óleo extra-pesado

  • Substância viaja submersa e limpeza é mais difícil na areia

Cientistas afirmam que o óleo que já foi encontrado em 233 localidade dos nove estados do Nordeste é do tipo extra-pesado, o mais prejudicial ao meio ambiente. Exames laboratoriais comprovaram que o petróleo foi extraído na Venezuela, mas ainda não se sabe como ele chegou no litoral nordestino. As informações são do G1.

Ronaldo Gonçalves, professor de engenharia química no Centro Universitário FEI, explica que “cada óleo tem como se fosse um DNA, uma impressão digital que marca suas características”. Analisando características como composição química, acidez e densidade, é possível comparar a substância com as amostras já catalogadas e identificar o tipo e a origem do petróleo.

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A densidade é uma das características mais marcantes da “impressão digital” das manchas de óleo no litoral brasileiro. A substância é densa e pesada, o que a faz se comportar de maneira diferente da maioria dos vazamentos no mar.

“Óleos extra-pesados formam plumas de contaminação mais densas que a água e que, portanto, submergem logo após o vazamento, não sendo aparentes superficialmente", diz Clarissa Lovato Melo, geóloga e coordenadora de pesquisa do Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUC-RS.

De acordo com os pesquisadores, o resultado da análise dá sustentação à teoria de que o óleo não chega à costa brasileira boiando, mas submerso – é por esse motivo que os satélites do Ibama não conseguem identificar o vazamento na superfície do mar. O óleo extra-pesado também é considerado mais prejudicial ao ecossistema das praias:

"Ele tem mais frações tóxicas do que um óleo leve, cujos componentes seriam vaporizados mais facilmente. Enquanto ele está no mar você ainda pode retirá-lo com uma separação do tipo líquido-líquido. Depois que ele entra em contato com a areia, a remoção torna-se muito mais difícil”, explica Ronaldo Gonçalves, da FEI.

O poder de adesão desse tipo de óleo também é maior. Isso significa que apesar de não ser absorvido por outros materiais com tanta facilidade, ele é mais grudento que os óleos leves. Além de ser prejudicial ao meio ambiente, o contato com o petróleo oferece riscos à saúde. Por isso, é importante usar equipamentos de proteção adequados ao ajudar na limpeza das praias.

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