Tiradentes: livros, filmes e sambas para conhecer o herói da Inconfidência Mineira

O Globo
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Dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político brasileiro: as muitas faces de Tiradentes dão a dimensão que a figura tem para a História do Brasil. Joaquim José da Silva Xavier foi líder da Inconfidência Mineira (1789), movimento separatista nascido na capitania de Minas Gerais e que buscava a independência total do poder colonial português. Nesta quarta-feira, 21 de abril, é lembrado o dia em que Tiradentes foi executado, no ano de 1792.

Abaixo, listamos dicas de livros, filmes e canções que remetem à memória do herói brasileiro, com uma trajetória que trascende as lições ensinadas nas salas de aula.

"O Tiradentes: Uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier"

A escassa documentação disponível sobre o "mártir da Inconfidência" sempre foi um obstáculo para a construção de uma biografia detalhada sobre Tiradentes. Foi a partir deste vácuo que o jornalista mineiro Lucas Figueiredo se lançou em uma minuciosa pesquisa em acervos nacionais e estrangeiros. O resultado é um trabalho de 520 páginas, lançado em 2018 pela Companhia das Letras. Em sua obra, Figueiredo humaniza Tiradentes, ampliando sua tradicional figura mítica. O autor reconstitui a trajetória do alferes, desde a sua experiência familiar, os anos de juventude, quando foi mascate, o trabalho no baixo escalão dos oficiais — enfrentando as engrenagens da burocracia estatal, o ofício paralelo de tratar (e tirar) dentes, até seu envolvimento na Inconfidência Mineira.

"1789"

Neste livro, o jornalista Pedro Doria remonta às origens da Inconfidência Mineira, que bebeu da fonte do Iluminismo que tomava conta das mentes pensantes na Europa. O autor investiga como o movimento atravessou o oceano e se refletiu na insurgência anticolonial, que teve como um dos líderes a figura de Tiradentes. A obra de 272 páginas foi lançada em 2014 pela Nova Fronteira. Doria apresenta um belo passeio iconográfico pelo Brasil da época, levado ao seu centro, as Minas Gerais, e tomado por rebeldes ilustres.

"Tiradentes"

Rodado em Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG), o filme de Oswaldo Caldeira traz o ator Humberto Martins na pele de Tiradentes. O longa despertou certa polêmica à época de seu lançamento por jogar luz à visão de Joaquim Silvério dos Reis, delator vivido pelo ator Rodolfo Bottino (1959-2011). Outro aspecto que chamou bastante atenção foi o figurino, digamos, minimalista de boa parte do elenco feminino. Em sua resenha, o crítico Ruy Gardnier disparou: "Duvido que na época houvesse tanta mulher pelada nas ruas de Minas Gerais — a ponto de corar até um Neville d'Almeida".

"Joaquim"

.Exibido no Festival de Berlim de 2017, o longa luso-brasileiro tem direção de Marcelo Gomes ("Cinema, aspirinas e urubus", "Viajo porque preciso, volto porque te amo"). O longa permeia os acontecimentos e fatos que levaram Joaquim José da Silva Xavier (Júlio Machado), um dentista comum de Minas Gerais, a se tornar mais conhecido pela alcunha de Tiradentes, transformando-se em um importante herói nacional e mártir que veio a liderar a Inconfidência Mineira. Com uma bela fotografia, "Joaquim" se dedica mais a dissecar a personalidade de Tiradentes do que elencar fatos históricos na tela. O filme pode ser visto na plataforma Looke.

"Exaltação a Tiradentes"

Responsável por dar ao Império Serrano seu segundo título do carnaval carioca, o samba de 1949 faz parte da antologia da festa. Composto por Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva, ao longo da história a obra ganhou a interpretação de nomes como Cauby Peixoto, Elis Regina e Chico Buarque. Em 1955, graças a Roberto Silva, se tornou o primeiro samba de enredo a ser gravado em disco. Diz um trecho: "Joaquim José da Silva Xavier/Morreu a vinte e um de abril/Pela independência do Brasil/Foi traído e não traiu jamais/A Inconfidência de Minas Gerais".

.Tiradentes também já surgiu em outro samba campeão do carnaval, em 2003, quando a Beija-Flor levou à Sapucaí o enredo "O povo conta a sua história: Saco vazio não pára em pé, mão que faz a guerra faz a paz", com foco na luta contra injustiças sociais. "Grito forte dos palmares: Zumbi/Herói da inconfidência: Tiradentes/Nas caatingas do nordeste: Lampião/Todos lutaram contra força da opressão", diz o refrão do samba composto por Betinho, Glyvaldo, J.C. Coelho, Luis Otávio, Manoel Do Cavaco, Ribeirinho, Serginho Sumaré e Vinicius.