Tiro que matou técnica de enfermagem no trem partiu de bandido, revela investigação

Marcos Nunes
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Investigações preliminares da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital indicam que o tiro que matou a técnica de enfermagem e cuidadora de idosos Jéssica dos Santos Souza, de 25 anos, atingida por uma bala perdida dentro de um trem, no último domingo de páscoa, teria partido da arma de um dos quatro assaltantes que fizeram um arrastão dentro da composição. Na ocasião, um PM à paisana que estava indo trabalhar, reagiu ao assalto e trocou tiros com os bandidos. Ao ser ferida, Jéssica estaria sentada em um banco atrás do PM.

A confirmação da suspeita, baseada em depoimentos prestados por testemunhas na especializada, ainda depende do resultado de um laudo de balística, que deverá comparar o projétil retirado do corpo da vítima com um revólver 38, apreendido com um dos assaltantes.

A arma usada por policial militar também passará pelo mesmo exame. O objetivo é o de saber se o tiro que matou a cuidadora partiu realmente de uma das armas apreendidas .

O crime aconteceu na altura da estação Sampaio, no ramal Japeri. De acordo com o despacho da juíza da 35ª Vara Criminal, que converteu a prisão em flagrante de Yuri Tito Brás, de 24 anos, em prisão preventiva, Jéssica estava sentada em um banco atrás do policial, quando bandidos iniciaram um arrastão para roubar passageiros que viajam no sentido Central do Brasil. " Segundo os relatos, o custodiado e seus três comparsas, todos armados, iniciaram um ´arrastão´ e começaram a recolher os bens dos passageiros (aproximadamente, 30 ou 40). Um dos passageiros, um policial militar, após escutar um disparo de arma de fogo, visualizou que um dos elementos estaria indo em sua direção, quando efetuou disparos contra o custodiado, tendo este disparado por quatro vezes na direção da vítima. Ressalta-se que um desses disparos atingiu a Senhora Jéssica dos Santos, que estava atrás do policial", escreveu a magistrada num trecho do despacho de sua decisão.

Yuri foi ferido e acabou preso. O PM não se lesionou. Três Bandidos fugiram e um quinto suspeito, que não estava em companhia dos demais, foi preso por tentar furtar telefones que o bando deixou para trás ao fugir.

A Delegacia de Homicídios também investiga a informação de que um dos três suspeitos que fugiram já está morto. Ele teria sido executado, no dia seguinte ao assalto no trem, por traficantes de Itaguaí, onde foi se esconder. Outro assaltante identificado é um adolescente de apenas 13 anos, que está sendo procurado pelos agentes. O último integrante do bando ainda não teve sua identificação confirmada pela polícia.

Moradora do Bairro Danon, em Nova Iguaçu, Jéssica estava indo trabalhar na residência de um casal de idosos, quando foi baleada no trem. A cuidadora ainda foi socorrida, mas não resistiu e morreu dentro de uma ambulância que estava a caminho do Hospital Salgado Filho, no Méier. Casada há quatro anos, e sem filhos, Jéssica era descrita pela família como uma pessoa doce que adorava trabalhar e que sonhava em ingressar nos quadros da saúde da Marinha.

— Ela não ficava parada. Adorava trabalhar. Se formou em dezembro. Chegou até a fazer estágio no Hospital Geral da Posse (em Nova Iguaçu). Agora não posso fazer mais nada. Só vão ficar os melhores momentos dela. Minha filha era um doce de pessoa — disse Silvana Santos, evangélica e mãe da técnica de enfermagem, quando esteve no Salgado Filho, no dia em que a filha foi baleada.

Jéssica dos Santos Souza foi sepultada, no dia 5 de abril, no Cemitério de Nova Iguaçu. Cerca de 200 pessoas, entre amigos e familiares, acompanharam o enterro.