Tiroteio em base americana: autor tinha ligações com a Al-Qaeda

Photo fournie le 7 décembre 2019 par le FBI d'un bâtiment de la base aéronavale de Pensacola, dans le nord-ouest de la Floride

O autor de um tiroteio em uma base naval americana em dezembro passado tinha "vínculos significativos" com o grupo jihadista Al-Qaeda "antes mesmo de chegar aos Estados Unidos", declarou nesta segunda-feira (18) o procurador-geral americano, Bill Barr.

O militar saudita em treinamento nos Estados Unidos Mohammed al-Shamrani, de 21 anos, abriu fogo em 6 de dezembro na base de Pensacola, na Flórida, fazendo três mortos e oito feridos antes de ser abatido pela polícia.

Após acessar com sucesso os dados de seus telefones celulares, os investigadores comprovaram que ele havia sido radicalizado desde pelo menos 2015 e que seu ataque era "o resultado de anos de planejamento e preparação", segundo o diretor do FBI, Christopher Wray, que deu uma coletiva de imprensa.

De acordo com os Estados Unidos, os primeiros elementos da investigação mostraram que ele foi "motivado pela ideologia jihadista".

No início de fevereiro, o tiroteio foi reivindicado pelo grupo Al-Qaeda na Península Arábica (Aqpa) e alguns dias depois Washington anunciou que havia "eliminado" seu líder Qassim al-Rimi.

Mas nada, até agora, indicava se o atirador saudita era apenas inspirado pelo grupo ou se ele estava em contato direto com seus membros.

Os investigadores americanos, que pediram à Apple acesso aos dados de seus telefones, finalmente conseguiram recuperar os dados de pelo menos um dos dois dispositivos por conta própria, segundo a CNN e o New York Times.

Eles descobriram que o saudita havia trocado mensagens com pelo menos um agente da Aqpa antes do ataque, segundo disseram fontes anônimas aos dois meios de comunicação.

O tiroteio abalou as relações entre Washington e Riade. Em um telefonema ao presidente Donald Trump, o rei Salman condenou um crime "abominável" e garantiu que o atirador não representava seu povo.

Washington então anunciou a expulsão de 21 soldados sauditas, dos cerca de 850 em treinamento nos Estados Unidos, porque publicaram ou consultaram "conteúdo ofensivo" nas redes sociais, "jihadistas", "antiamericanos" ou de natureza pedófila.

O FBI, no entanto, não encontrou "nenhuma evidência de colaboração ou conhecimento prévio do ataque" por outro pessoal militar nos Estados Unidos.

As relações entre Washington e Riade já haviam sofrido um sério revés após os ataques de 11 de setembro de 2001: 15 dos 19 pilotos que sequestraram os aviões e causaram a morte de cerca de 3.000 pessoas eram sauditas.