Tiroteio que deixou dois feridos em igreja, no Centro do Rio, ocorreu logo após missa

Administrador da Igreja de Nossa Senhora do Parto, no Centro do Rio, Marcio Vidal reuniu os funcionários após uma das missas da última terça-feira para dar instruções sobre o funcionamento para esta quinta-feira. O objetivo era deixar tudo organizado para que todos pudessem sair as 14h, a tempo de assistirem ao jogo de estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo. Ele foi interrompido por uma tentativa de assalto, que terminou em tiroteio na nave da igreja, sendo que um dos tiros o atingiu no pé, colocando Marcio na lista de cinco vítimas de balas perdidas na Região Metropolitana do Rio somente na última terça-feira. Duas delas morreram.

Já em casa depois de ser atendido e liberado ainda na terça-feira, Marcio contou os momentos de terror vividos dentro da igreja. Uma missa acabara de ser realizada e muitos fiéis permaneciam no local. Ele falava de costas para a entrada principal, quando ouviu uma discussão, seguida de disparos. Ao se virar para ver o que estava acontecendo, foi atingido no pé esquerdo e viu o atirador disparar contra um senhor caído no chão.

- Em frente à igreja tem um banco, então eu acredito que possa ter sido uma tentativa de assalto. O senhor ao ser abordado deve ter corrido para a igreja e o bandido veio atrás. Eu estava de costas e ao ouvir a discussão, me virei e fui atingido. Ainda vi o bandido atirar mais seis vezes no senhor caído no chão antes de fugir - contou Marcio.

Mesmo ferido, o administrador se levantou e foi socorrer o homem baleado. Em seguida deu ordem para que a igreja fosse fechada. O bandido, por sua vez, fugiu em direção à Avenida Nilo Peçanha, onde teria sido baleado por um segurança da Assembleia Legislativa, mas ainda assim escapou. A Polícia Militar foi acionada e informou ter encontrado as vítimas de disparos no local, mas não localizou o suspeito na região.

- É uma sensação de impotência. Moro há 25 anos no Rio e nunca havia passado por uma situação de violência. Minha maior preocupação na hora era com os fiéis que estavam rezando na igreja. A missa tinha acabado fazia pouco tempo. Como que pode alguém fazer tiroteio na casa de Deus.

Marcio foi socorrido junto com a outra vítima, um senhor de 68 anos que não teve o nome divulgado a pedido da família. Ele contou que foi na ambulância amparando o homem e conversou com os parentes da vítima na unidade. Após ser atendido, ele foi liberado na mesma noite. Já o idoso foi transferido para um hospital particular com estado de saúde estável.

Ainda na terça feira, outras quatro pessoas foram vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro e Região Metropolitana, sendo que duas morreram. Em Japeri, o ajudante de obra Douglas Teixeira da Silva, de 26 anos, morreu com um tiro no peito enquanto descarregava um caminhão. Outro homem, que fazia o mesmo trabalho, foi baleado na mão.

De acordo com a Polícia Militar, os tiros partiram de um confronto entre agentes, que foram atacados por criminosos que estavam em um carro, na Rua Maria do Carmo, e revidaram, dando origem ao confronto, que feriu os trabalhadores. Douglas deixou esposa e três filhos.

Já em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Marcelo Grangeiro de Faria, de 51 anos, ia para o trabalho, de ônibus, quando na altura da comunidade Barro Vermelho, ele foi atingido por uma bala perdida e morreu na hora. De acordo com a Polícia Militar, havia uma troca de tiros entre policiais e criminosos na região.

Na Zona Oeste do Rio, a vítima de bala perdida foi uma mulher, que estava dentro de sua casa, no bairro Jardim Novo, em Realengo. Agentes do 14 Batalhão da PM realizavam uma ação próxima ao local. A vítima foi socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de Magalhães Bastos, onde foi atendida e liberada.

Dados do instituto Fogo Cruzado relativos a este ano, mostram que 91 pessoas foram atingidas por balas disparadas em tiroteios no estado. Desse total, 24 vieram a óbito.