"Tivemos que pagar o preço": acusações a lar de idosos atingido pela COVID-19

Por Andrew MARSZAL
1 / 2
Entrada do centro de cuidados Life Care, em Kirkland, Washington

À medida que o coronavírus inunda os Estados Unidos, o instinto de procurar culpados se intensifica... e não há melhor lugar para começar do que no lar de idosos nos arredores de Seattle onde 35 pessoas, residentes em sua maioria, morreram.

O centro de cuidados Life Care em Kirkland - que tinha um total de 120 residentes - registrou quase 25% de todas as mortes do país, devastando não só as famílias das vítimas, como também das que têm algum parente retido no local.

Todos exigem respostas.

A agência federal de saúde CDC divulgou um relatório na quarta-feira que aumentou as críticas, apontando funcionários que foram trabalhar mesmo quando apresentavam sintomas e deficiências em geral sobre formação e equipamento.

O documento indica uma imagem de caos total e colapso, que foi frequentemente expressada anteriormente pelos familiares dos idosos internados nesta organização.

"Aqui não existe quarentena. Esta doença está se espalhando", afirmou Kevin Connolly, cujo sogro Jerry Wall, de 81 anos, é residente. "Exigimos respostas!".

Os familiares querem saber, por exemplo, quem é responsável pelos atrasos, tanto na identificação da COVID-19 - que em princípio se pensou que era uma gripe - quanto na condução de testes de diagnóstico ou o fechamento total do centro.

"É devastador", afirmou Clancy Devery, genro de Chuck Sedlacek, um paciente infectado, ao Seattle Times. "Acreditamos que se tivessem honrado nosso pedido de exames e se fosse retirado dali, não estaríamos na situação em que estamos".

- "Mais fácil" -

O local observou o surto de problemas respiratórios em 10 de fevereiro, mas o processo de isolamento da instituição só começou um mês depois.

"É mais fácil colocar toda a culpa em um asilo", disse à AFP o porta-voz do Life Care, Tim Killian. "Estamos certos de que vamos receber ataques".

Mas destacou que, além da natureza sem precedentes da pandemia, o "governo não estava completamente pronto para responder às coisas que precisávamos para poder conter isto".

Os kits de testes para todos os residentes não chegaram senão uma semana e meia depois do primeiro caso confirmado, continuou Killian, garantindo que "levou por volta uma semana para conseguir equipe de atenção médica adicional no local".

Em relação aos atrasos no isolamento, "levamos um tempo para sentir que recebemos a autoridade adequada do governo" para fechar a casa, que segundo ele, já não possui policiais ou funcionários do governo protegendo-a.

Há enfermeiras que seguem atendendo aos que permanecem internados, 32 dos quais testaram positivo para COVID-19.

A única exceção são as visitas familiares a pacientes moribundos.

- "Perder a paciência" -

Alguns familiares expressaram empatia pela equipe sobrecarregada do centro.

Uma enfermeira disse a Pat Herrick por engano que sua mãe Elaine ainda estava viva, depois de já ter sido informado que havia falecido.

"Isso é trágico. Mas também sinto uma grande compaixão pela humanidade [da enfermeira]", afirmou.

"Tivemos a horrível sorte de estar no local errado, na hora errada", diz Scott Sedlacek ao Washington Post, que contraiu o coronavírus ao visitar seu pai Chuck.

Connolly descreveu a resposta do governo em todos os níveis como "risível", embora os funcionários locais culpem o asilo.

"Enfrentamos problemas com o Life Care, e estou começando a perder a paciência", declarou a jornalistas a autoridade máxima do condado de King, Dow Constantine.

Mas Killian garante que, embora seu centro tenha sido um dos primeiros afetados nos Estados Unidos, não é culpa de sua equipe.

"Nossos enfermeiros não foram a causa do surto viral, o vírus foi a causa deste surto viral", insistiu. "Tivemos que pagar o preço por isso".