TJ não autoriza realização de audiência de filho de Flordelis por videoconferência

Carolina Heringer
Anderson ao lado de Flordelis

RIO - A presidência do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio não autorizou a realização do interrogatório por videoconferência de Flávio dos Santos Rodrigues, filho da deputada federal Flordelis e réu pela morte do pastor Anderson do Carmo. A audiência estava marcada para ocorrer nesta quinta-feira. O pedido foi feito na última segunda-feira pela juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói. Questionado, o TJ afirmou que a videoconferência poderá ser realizada em outra data, desde que obedecidos os prazos.

"Não há como fazer uma videoconferência com presos de um dia para o outro", afirmou a assessoria, acrescentando que a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio solicita um prazo de cinco a dez dias de antecedência para que um preso seja apresentado para realização de uma audiência.

Na última segunda-feira, o presidente do TJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares, suspendeu as audiências por 60 dias por causa da pandemia do novo coronavírus. O magistrado, no entanto, permitiu que nos casos de réus presos, o juiz pode optar por realizar o ato, desde que justifiquem sua necessidade.

No início deste ano, a defesa de Flávio entrou com um pedido de liberdade para o cliente alegando demora na realização de seu interrogatório. O atraso, no entanto, ocorreu por demora na marcação do depoimento de Flordelis, que usou sua prerrogativa de parlamentar ao ser chamada para ser ouvida como testemunha de defesa do filho. A deputada deveria indicar uma data para seu depoimento, mas isso não ocorreu e o ato acabou sendo marcado pela própria Justiça do Distrito Federal, onde ela optou por ser ouvida.

As testemunhas de Flávio foram ouvidas nos dias 31 de outubro e 1º de novembro do ano passado, à exceção de Flordelis. O interrogatório de Flávio foi marcado apenas após o depoimento de Flordelis, que ocorreu em fevereiro deste ano. No processo criminal, os réus só são interrogados após os depoimentos de todas as testemunhas de acusação e de defesa.

Após o depoimento de Flávio, a juíza decidirá se há provas para levá-lo a júri popular pelo crime. Em relação a Lucas Cézar dos Santos, outro filho de Flordelis que também é réu por participação na morte do pastor, a Justiça decidiu, no dia 1º de novembro do ano passado, que o rapaz irá a júri popular. Flordelis não foi chamada para ser sua testemunha e o rapaz já foi ouvido.