Toalhas com imagens de Lula e Bolsonaro conquistam eleitores e ganham destaque nas janelas e varandas

No auge da pandemia de Covid-19, o ambulante Jeferson Gaspar Ferreira, de 31 anos, vendia artigos como álcool em gel e máscaras de proteção em sua barraca no Catete, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro. Quando a crise sanitária arrefeceu, ele logo encontrou um filão nas eleições presidenciais, mais especificamente na polarização entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Ainda em março, bem antes do início oficial da campanha eleitoral, passou a investir em produtos relacionados aos mais populares concorrentes ao Palácio do Planalto.

— Comecei vendendo algumas toalhas pequenas, com os rostos de Lula e Bolsonaro, mas, assim que percebi o interesse dos clientes, resolvi investir exclusivamente na eleição e mandei fazer outras em versões maiores. Agora tenho também camisas, bonés, chaveiros, broches, canecas e até brincos de estrelas vermelhas e bandeiras do Brasil— conta o ambulante, em cuja barraca é possível encontrar as toalhas que ilustram a capa desta edição.

Toalhas e bandeiras dividiram as preferências entre eleitores que quiseram deixar claro qual seria o seu voto presidencial nesta eleição. Desde o início da campanha, artigos das mais variadas formas e tamanhos se espalharam por janelas e varandas em diversas cidades do país, como símbolos do processo democrático.

Alguns ambulantes fazem sua previsão sobre o vencedor da disputa deste domingo a partir do número de peças vendidas de cada candidato: é o que chamam de Datatoalha. Jeferson, que nessa reta final viu seu lucro triplicar e vendeu cerca de cem produtos por dia na última semana de campanha, evita um prognóstico, e garante não ter preferência entre Lula e Bolsonaro.

— No começo da campanha, estava decidido a votar no Bolsonaro, mas acabei ouvindo eleitores dos dois lados e não sei mais qual deles acho melhor. Vou anular meu voto neste segundo turno — revela.

A estratégia de venda, ele já tem planejada: pretende deixar de exibir, a partir de segunda-feira, os produtos do candidato derrotado e deixar à venda apenas os relacionados ao presidente eleito.

A aposentada Conceição Sodré, de 67 anos, foi uma das eleitoras que levaram para casa uma toalha que estampava sua preferência: optou pela que trazia o busto de Lula. Apoiadora de longa data do petista, explicava que aquela não era a sua primeira compra do gênero. Já ostentava uma toalha do candidato pendurada em sua janela e, naquele dia, comprava outra para dar ao filho.

— Estou confiante para este domingo; tenho certeza de que o Lula irá ganhar, pelo bem do trabalhador. Espero que a toalha ajude a influenciar mais eleitores a votarem nele — torcia.

Convicta da reeleição de Jair Bolsonaro, a dona de casa Rosane Liberato, de 68 anos, por sua vez, investiu em artigos com a bandeira do Brasil. Sua coleção conta com blusa, chapéu, caneca e um cordão com o número de urna do atual presidente.

— Só não coloquei a toalha na janela porque não queria chatear meu filho, que não é bolsonarista e sempre vai me visitar. Mas não tiro mais meu cordão do Brasil e ainda quero usar um brinco com a foto do presidente na hora do voto e depois também, porque ele vai vencer — apostava.

Já a instrumentadora Eliane do Amaral Oliveira, de 60 anos, decidiu pendurar a bandeira para conquistar mais votos para Bolsonaro e agradar à mãe.

— Mor o com a minha mãe, que tem 95 anos e faz questão de ir votar no Bolsonaro. Ela é eleitora antiga dele, desde 1988. Além da toalha, tem camisa, bandeira do Brasil e até máscara com o rosto do presidente — contou.