Covid: 5 erros comuns no uso da máscara, como tocar na parte externa

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Ex-chanceler Ernesto Araújo toca parte externa da máscara em depoimento à CPI da Covid
Ex-chanceler Ernesto Araújo toca parte externa da máscara em depoimento à CPI da Covid

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid na terça-feira, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo foi alvo de uma série de acusações dos senadores sobre a atuação do Itamaraty no enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Se suas supostas omissões e falhas ainda estão sendo apuradas, um deslize capturado em frente às câmeras não passou batido por especialistas em saúde.

Em dado momento, Araújo toca a parte externa da máscara para ajeitá-la, algo comum em tempos de pandemia.

Quem chamou atenção para o lapso foi a infectologista Denise Garrett, ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos EUA e atual vice-presidente do Sabin Vaccine Institute (Washington).

Em sua conta pessoal no Twitter, Garrett repreendeu o ex-ministro e fez um alerta.

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"Gente!!! Por favor não façam como o Ernesto Araújo. NÃO TOQUE A PARTE EXTERNA DA MÁSCARA. Se o fizer, use álcool gel ou lave a mão logo após. Essa é a parte contaminada da máscara e você pode se infectar dessa maneira", disse ela.

"Ajuste bem a máscara antes de sair, moldando o metal sobre seu nariz, para que fique firme na face. Se está frouxa e caindo, não é uma boa máscara. Se precisar ajeitar durante uso, faça-o pelas bordas, os LOCAIS TOCANDO SUA FACE, ONDE NÃO HÁ TROCA DE AR. Nunca pelo centro. E lave as mãos".

À BBC News Brasil, Garrett explica que a máscara que o ex-chanceler estava usando tem várias camadas de materiais que ficam contaminados "enquanto estão filtrando o ar".

"O ar passa por aquelas camadas e elas se contaminam, porque o objetivo é filtrar esse ar para liberar um ar limpo para a pessoa respirar. E essa camada externa é a camada que se contamina quando está exposta ao vírus", diz ela.

"Essa camada externa captura a maior parte das partículas aéreas. Se você está em um ambiente contaminado, essas gotículas vão ficar naquela camada externa da máscara. Se você tocá-la e depois tocar olhos e boca, você pode se contaminar".

"Por isso, é muito importante a boa higiene das mãos. Não só para não contaminar a sua mão se a camada externa da máscara estiver contaminada, mas também para não contaminar a máscara se sua mão estiver contaminada", completa.

Apesar de convivermos com a pandemia há mais de um ano, esse continua sendo um dos erros mais corriqueiros no uso de máscara.

Como já sabemos, a proteção facial ajuda a evitar a contaminação do Sars-CoV-2, devido à forma como o vírus é transmitido (pequenas gotículas do nariz e da boca), mas para isso precisa ser usada adequadamente.

Além de ajeitar a máscara tocando a parte externa, como fez Araújo, a BBC News Brasil lista outros erros comuns abaixo. Confira.

retrato de homem usando máscara de proteção (PFF2 ou N95) contra o coronavírus
Máscaras devem cobrir nariz e boca

1) Máscara com o nariz de fora

Atire a primeira máscara quem nunca viu alguém usando a proteção facial com o nariz de fora.

Nosso nariz é uma das principais portas de entrada para o vírus, portanto, de nada adianta usar proteção facial se ele estiver descoberto.

O uso da máscara deve cobrir nariz e boca, bem ajustada próximo aos olhos.

2) Máscara grande ou pequena demais

A máscara só é eficaz se estiver bem presa ao rosto, sem que o ar consiga escapar de qualquer parte.

Aviso aos usuários de óculos: se eles ficam embaçados quando você usa máscara, então você deve ajustá-la melhor, pois sua proteção facial não está bem acomodada ou seu tamanho é inadequado.

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mantém a indicação de máscaras de tecido, limpas e secas, para a população em geral, enquanto as máscaras cirúrgicas e as N95, PFF2 e equivalentes devem ser usadas "pelos profissionais que prestam assistência a pacientes suspeitos ou confirmados de covid-19 nos serviços de saúde".

infografico
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Já alguns países europeus, como a França, passaram a exigir o uso de máscaras profissionais pela população.

Embora as políticas variem, cientistas e estudos apontam que as máscaras N95, PFF2 ou equivalente oferecem um grau maior de proteção e devem ser priorizadas em situações de maior risco.

3) Máscara por período prolongado

As máscaras não podem ficar "úmidas", e recomenda-se trocá-las a cada duas horas.

Segundo uma pesquisa da Universidade College London (Reino Unido), o Sars-CoV-2 pode permanecer ativo por mais tempo em ambientes umedecidos, como quando espirramos ou falamos demais.

Mas o problema maior é que o material, quando úmido, perde parte de sua utilidade de bloquear agentes infecciosos.

Gráfico de transmissão do vírus por gotículas ou aerossóis
Gráfico de transmissão do vírus por gotículas ou aerossóis

4) Máscara compartilhada

Em hipótese alguma, compartilhe máscaras. O Ministério da Saúde adverte que elas são de uso individual.

A razão é óbvia: se você usa a máscara de uma pessoa infectada pelo coronavírus, seu risco de contrair a doença cresce potencialmente.

5) Máscara já usada guardada em bolsa

Guardou a máscara suja na bolsa? Errou feio.

O vírus tem chance de se espalhar para outros objetos, aumentando o risco de contágio.

Segundo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), "as partículas virais liberadas junto com a saliva podem permanecer flutuando no ar por cerca de 40 minutos e até 2h30min. Os vírus que se depositam sobre uma superfície, dependendo das características dessa superfície, podem permanecer viáveis por algumas horas ou até dias".

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