EUA negam confisco de equipamentos médicos destinados ao Brasil

Foto: Gabriela Mena/Press South/NurPhoto via Getty Images

São "fake news" os relatos de que os Estados Unidos estão confiscando carregamentos de equipamentos médicos destinados ao Brasil, disse nesta terça-feira (7) o novo embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman.

Segundo ele, muitos fornecedores estão dizendo que os carregamentos foram bloqueados pelos EUA como desculpa para poder vender os equipamentos a preços maiores para outros clientes.

"Alguém está usando desculpa de que está bloqueado para vender a terceiros, aproveitando-se da situação", afirmou Chapman. "Nós estamos averiguando isso através do sistema de Justiça; não é permitido praticar preços abusivos, sair reajustando preços, isso é contra a lei americana."

Os governadores do Maranhão, Flávio Dino, e da Bahia, Rui Costa, acusaram os EUA de terem confiscado um carregamento de equipamentos médicos que iria para o Nordeste.

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"Compramos respiradores em conjunto com outros estados do Nordeste. Equipamentos não chegaram por causa desse confisco mundial efetuado pelos Estados Unidos. Estamos organizando nova compra no âmbito do Consórcio Nordeste, além das nossas próprias aquisições. Luta todo dia", disse Dino no Twitter.

O próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, havia afirmado que negociações brasileiras haviam sido canceladas por causa dos EUA. A embaixada americana chegou a postar uma mensagem no Twitter no sábado (4), dizendo: "O governo dos Estados Unidos não comprou nem bloqueou nenhum material ou equipamento médico da China destinado ao Brasil. Relatórios em contrário são completamente falsos".

Indagado se os EUA enviariam médicos ou equipamentos para auxiliar o Brasil no combate à epidemia do coronavírus, Chapman disse que já existe intercâmbio de conhecimento entre os dois países por meio do escritório do Centers for Diseases Control americano no Brasil, que existe há 10 anos. "Não precisamos mandar especialistas para o Brasil, porque eles já estão aqui, temos escritório do CDC aqui, com linha direta para Atlanta", disse ele.

Questionado sobre as iniciativas da China de mandar médicos e doar equipamentos como forma de aumentar a influência do país por meio de uma espécie de "diplomacia das máscaras", Chapman afirmou: "Este é o momento de todos trabalharem em conjunto, e não de ganhar pontos. No momento em que a casa está em chamas, não é hora de ganhar pontos, de discutir onde começou o fogo -já sabemos onde começou o fogo, e essa não é uma declaração política, é um fato. Agora, o importante é extinguir o fogo."

Ele disse também que os EUA, há décadas, é o líder em assistência humanitária em saúde. Segundo ele, foram quase US$ 170 bilhões em assistência na última década somente em saúde, 40% da assistência global, mais que 5 vezes maior que o próximo doador. "Esses são fatos, não é papo", afirmou.

Chapman não respondeu se a 3M poderia continuar a exportar máscaras N-95 para o Brasil. Na semana passada, invocando a Lei de Defesa da Produção, o presidente Donald Trump proibiu a empresa de exportar as máscaras para o Canadá e América Latina.

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A 3M protestou, dizendo que isso teria "consequências humanitárias significativas". No sábado, Trump rebateu: "Precisamos das máscaras. Não queremos que outras pessoas fiquem com essas máscaras, e é por isso que estamos usando a Lei de Defesa da Produção. Você pode chamar de retaliação, porque é isso mesmo, retaliação. Se não nos derem o que precisamos para nosso povo, nós seremos muito duros."

No domingo, a 3M e a Casa Branca chegaram a um acordo, com uma importação emergencial de máscaras da China para suprir o mercado interno que permitiu à empresa fazer os embarques para Canadá e América Latina. A 3M é a principal fornecedora de N-95 para a região. O embaixador limitou-se a dizer: "A 3M aqui está trabalhando super bem, para o bem do Brasil e dos outros."

Chapman apresentou suas credenciais ao presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (6). O novo embaixador fala português perfeito. Seu pai era executivo de multinacional, e ele morou em São Paulo entre 1974 e 1980, estudava na escola americana Chapel. Na entrevista coletiva à distância, contou que colecionava figurinhas da Copa do Mundo e citou Rivelino e Secos e Molhados. Chapman serviu como diplomata na embaixada em Brasília entre 2011 e 2014.

O novo embaixador não excluiu a possibilidade de os Estados Unidos bloquearem voos vindos do Brasil, como foi aventado pelo presidente Donald Trump na semana passada.

"É sempre algo que o governo americano está avaliando, muitos países já não têm acesso direto, é importante para proteger nosso país"

Por enquanto, os EUA mantém 16 voos semanais diretos, importantes para 260 mil americanos que vivem hoje no Brasil.

Ele citou também a linha de swap (troca) de US$ 60 bilhões que o Fed, o banco central americano, deixou disponível para o Brasil. Essa linha é útil no contexto de escassez de dólares, com a debandada maciça dos investidores estrangeiros do país.

Indagado se os EUA manteriam as deportações de brasileiros durante a pandemia de coronavírus, Chapman afirmou apenas que está trabalhando bem com o governo brasileiro nesta questão.

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***Por Patrícia Campos Mello, da Folhapress