Todo luxo do mundo: conheça o estádio de R$ 4 bilhões que receberá jogos da Copa do Qatar

Bruno Marinho
Do lado de fora, estádio realmente lembra uma tenda

Toda a extravagância que o dinheiro pode comprar está no Al-Bayt, em Al-Khor, um dos oito estádios que serão sede da Copa do Mundo do Qatar-2022. Perto de ficar pronto, o luxo impressiona até o torcedor mais experiente. Pelo custo estimado na construção, não era de se esperar outra coisa: US$ 1 bilhão (R$ 4,1 bilhões), quase três vezes mais que o Mané Garrincha, em Brasília, estádio mais caro do Mundial-2014, que saiu por R$ 1,4 bilhão.

O Comitê Organizador evita revelar o custo individual de cada estádio da Copa. Primeiro, porque os valores podem perfeitamente aumentar no decorrer das obras. Segundo, para evitar críticas da comunidade internacional aos gastos astronômicos de um país tão rico, mas com desigualdade social grave. Mas um dos engenheiros responsáveis por ele não resistiu ao ser questionado sobre as cifras.

— Nós podemos falar em algo em torno de 1 bilhão de dólares e ele não está acabado. Vamos torcer para ser menos — afirmou Nasser Hamad Al Hajeri, diretor de projeto do Al-Bayt.

Com capacidade para 60 mil pessoas, o Al-Bayt será o segundo maior da competição no Oriente Médio, atrás apenas do Lusail, palco da final da Copa, que ainda está em obras e terá 80 mil lugares. O estádio foi projetado para reproduzir uma típica tenda qatari, com cobertura que imita o tecido das cabanas no deserto. A organização descobriu depois que não existia fábrica para produzir o material da cobertura. O que foi feito? Construíram uma só para a demanda, que será desmontada ao fim das obras. A arena tem também teto retrátil, que cobre totalmente o campo em 20 minutos e que o protege da areia do deserto.

O Al-Bayt está previsto para ficar pronto no primeiro trimestre deste ano e será, antes e depois do Mundial, um hotel cinco estrelas. Os quartos terão vista para o gramado. Durante a competição serão convertidos em camarotes. Os corredores são luxuosos, com lustres de cristal, adereços em ouro e tapetes árabes. O sistema de ar condicionado, praxe nos estádios que serão sede no Mundial, refresca até o campo de jogo, na esperança que isso ajude no desempenho dos jogadores.

Em uma Copa do Mundo de pequenos deslocamentos, o trajeto de 40 minutos de carro, saindo do centro de Doha, parece uma eternidade. O Al-Bayt será a sede mais distante do Mundial, em Al-Khor, outra cidade do Qatar, e será a única em que não poderá se chegar de metrô. Em compensação, os organizadores prometem 17 mil vagas de estacionamento. A ideia é que o complexo seja uma atração da cidade depois da competição.

— Além do hotel com 96 quartos, teremos seis restaurantes ao redor do estádio, três cinemas, parque para crianças e um hospital para a população do entorno — afirmou Al Hajeri.

Fogueiras nos acessos

A promessa é criar para os torcedores estrangeiros uma experiência tipicamente qatari. Tanto que, do lado de fora, centenas de agulhas para bordar de mais de dez metros de altura estão espalhadas para lembrar o artesanato local.

Em frente às duas entradas principais do Al-Bayt, estruturas simulando toras de madeira empilhada foram construídas e serão acesas quando a noite chegar e deixar no escuro o estádio de R$ 4 bilhões.

Em contrapartida a tanto esbanjamento, o Comitê Organizador promete doar 20 mil cadeiras do Al-Bayt para estádios em países que o futebol ainda carece de investimento. Depois do Mundial, o estádio será reduzido para 40 mil pessoas.

Mesmo com as cifras exorbitantes, o Al-Bayt não será o estádio mais caro da história das Copas. A Arena de São Petersburgo, na Rússia, que levou quase uma década para ser erguida, custou US$ 2,3 bilhões.