Todos terão que aceitar resultado da eleição, diz Lula após ataques de Bolsonaro

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    Jurista, magistrado e ex-político brasileiro, Ministro do Supremo Tribunal Federal
**ARQUIVO**  SÃO PAULO, SP, 17.01.2020 - O ex-presidente Lula durante reunião do diretório nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 17.01.2020 - O ex-presidente Lula durante reunião do diretório nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas para a disputa ao Palácio do Planalto, disse em rede social neste sábado (15) que a população rejeita autoritarismo e que todo mundo terá que respeitar os resultados das eleições de 2022.

A declaração, que rememora posicionamento anterior dele, ocorre após novos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral e aos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Eu disse nesse começo de ano ao jornal britânico The Telegraph que a democracia brasileira sairá mais forte de 2022, e todos terão que aceitar o resultado das eleições. A maioria dos brasileiros rejeita o autoritarismo e o desastroso desgoverno atual", escreveu Lula em sua conta no Twitter.

Na última quarta (12), Bolsonaro acusou Barroso e Moraes de ameaçar e cassar "liberdade democráticas" com o objetivo, segundo ele, de beneficiar a candidatura de Lula.

"Quem esses dois pensam que são? Que vão tomar medidas drásticas dessa forma, ameaçando, cassando liberdades democráticas nossas, a liberdade de expressão porque eles não querem assim, porque eles têm um candidato. Os dois, sabemos, são defensores do Lula, querem o Lula presidente", declarou Bolsonaro, durante uma entrevista ao site Gazeta Brasil.

Neste sábado, a Folha também mostrou que recentes episódios em que as Forças Armadas demonstraram distanciamento do governo Jair Bolsonaro são ao mesmo tempo sinalização de posição e aceno a outros candidatos na disputa presidencial, principalmente a Lula.

Segundo a reportagem ouviu de oficiais-generais das três Forças, apesar de a interlocução com o petista ser basicamente inexistente neste momento, os eventos falariam por si e serviriam para tirar o bode de um golpe militar contra Lula em caso de vitória em outubro.

Bolsonaro, que fez repetidos ataques a ministros do STF antes do atos de raiz golpista do 7 de Setembro, chegou a baixar seu tom nos meses seguintes, após se desculpar e escrever uma carta com auxílio do ex-presidente Michel Temer (MDB). No final de 2021, porém, voltou a atacar integrantes da corte e o sistema eleitoral.

O presidente ainda investiu contra Moraes e lembrou o julgamento, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que rejeitou a cassação da chapa presidencial por participação em esquema de disparo em massa de fake news nas eleições de 2018.

Na ocasião, Moraes, que será presidente do TSE em 2022, afirmou que, se houver disparo em massa de fake news nas próximas eleições, os responsáveis serão cassados e "irão para a cadeia por atentar contra as eleições e a democracia".

"Eu fui julgado no TSE, a chapa Bolsonaro-Mourão, no final do ano passado; e lá foi a vez do senhor Alexandre de Moras falar claramente: 'houve sim fake news, houve disparo em massa, sabemos; no ano que vem --que é neste ano-- se tiver vamos cassar o registro e prender o candidato'", afirmou Bolsonaro.

"Olha, isso é jogar fora das quatro linhas [da Constituição], eu só tenho isso a dizer a vocês. Eu sempre joguei dentro das quatro linhas. Não se pode falar em terrorismo digital. Que terrorismo é esse? É o que ele acha que é? Quem são os checadores de fake news no Brasil? Contratados a troco de quê?"

O tom de Bolsonaro se repetiu na sexta-feira (14), em agenda no Amapá, quando voltou a dizer, sem provas, que houve fraude na eleição presidencial de 2018.

"Era para ter ganho no primeiro turno, se fossem umas eleições limpas no primeiro", afirmou, ao se referir ao pleito que o levou ao Palácio do Planalto.

Bolsonaro foi o mais votado no primeiro turno em 2018, com 46% dos votos válidos. Para prescindir do segundo turno, o candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos. A eleição foi decidida no segundo turno, quando Bolsonaro venceu o petista Fernando Haddad.

Pesquisas têm apontado uma ampla vantagem de Lula para a eleição deste ano, que atualmente teria chance de vitória no primeiro turno, com Bolsonaro em um distante segundo lugar.

A retomada da contestação de urnas também ocorreu em entrevista concedida pelo presidente na quinta-feira, mas veiculada nesta sexta (14).

Bolsonaro recuperou uma fake news de que pessoas estariam comendo cães e gatos para não passar fome durante restrições na pandemia da Covid em Araraquara (SP) no ano passado. Ele disse não entender como o prefeito Edinho Silva (PT) foi reeleito e colocou em dúvida o processo eleitoral.

Em rede social neste sábado, Lula disse ainda que o "próximo presidente do Brasil terá que enfrentar o desafio de reconstruir o país, recuperar o crescimento econômico e a inclusão social, dialogando e trabalhando com a sociedade".

"E que nosso mundo precisa de mais cooperação e menos conflito entre os países para enfrentar os desafios globais --pandemia, proteção do meio ambiente, combate à pobreza", afirmou.

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