Tomorrowland: festival belga de pop eletrônico faz réveillon virtual

Ronald Villardo
·3 minuto de leitura

Em 2004, aos 8 anos, um moleque holandês chamado Martijn Gerard Garritsen assistiu à apresentação do DJ Tiesto na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atenas. Foi o que bastou para que decidisse ali mesmo qual seria sua profissão. Corta para 2017 e o jovem Martijn já assinava dezenas de autógrafos como Martin Garrix e estreava na lista da revista “Forbes” como um dos DJs mais bem pagos do mundo, amealhando cerca de US$ 19,5 milhões só naquele ano.

O motivo de o rapaz ser tão bem-sucedido você poderá conferir no show que ele faz na festa de fim de ano do festival Tomorrowland, que começa às 20h no site Tomorrowland.com, por onde vão rolar 21 horas de música eletrônica pelas mãos de 28 dos maiores DJs do mundo.

Martin é apenas uma das estrelas da noite que também contará com superastros como Armin Van Buuren, Dimitri Vegas & Like Mike, David Guetta, além da DJ de techno Charlotte de Witte, infelizmente uma das poucas representantes do sexo feminino. Não por acaso, at é 2015 Charlotte adotava o pseudônimo Raving George, temendo não ser convidada para tocar caso descobrissem que ela era mulher — mas hoje está na tropa de elite do estilo.

As apresentações foram pré-gravadas para o espetáculo que começa às 20h de qualquer parte do mundo. É que a festa estará cronometrada para acontecer de acordo com a geolocalização do festeiro e a contagem regressiva da virada ocorra na hora exata, em 27 fuso horários. Ah, sim: vai ter fogos. Mais precisamente, 1.200 deles, sem falar nas 2.750 luzes e nos nos 184 lasers utilizadas nas filmagens.

Ao todo, foram realizadas mais de cem horas de gravação, em Los Angeles e na Bélgica , com 17 câmeras 4k e 250 figurantes devidamente testados para Covid-19. As imagens foram editadas e trabalhadas digitalmente para emular a experiência de se estar em um festival de verdade.

Falando nos festivais, o Tomorrowland é um dos mais consagrados do mundo. Acontece desde 2005 na Bélgica e é uma espécie de Rock in Rio da eletrônica, privilegiando artistas de alcance pop.

—É o próprio Michiel Beers, o criador do festival, quem faz a curadoria das atrações até hoje — conta a diretora mundial do Tomorrowland, Debby Willsen, em entrevista por email.

A fórmula deu tão certo que o festival ganhou musculatura a ponto de chegar ao Brasil, onde realizou duas edições, em São Paulo, em 2015 e 2016. Na ocasião, tocaram na megafesta alguns dos principais nomes do mundo, como Van Buuren e Afrojack, juntos à prata da casa, os nossos internacionais Alok e Gui Boratto.

Por causa da pandemia, a reinvenção para o ambiente online aconteceu em julho deste ano, quando a organização anunciou a primeira edição digital . Mais de um milhão de pessoas conferiram a festa por meio do site Tomorrowland.com.

O esquema foi parecido com o que vai rolar hoje. Serão quatro palcos — Atmosphere, Melodia, Planaxis e Pulse — a abrigar o time já mencionado e também alguns velhos conhecidos do público brasileiro. E entre eles, o produtor Diplo, que já assinou produções com Anitta e Pabllo Vittar; o rapper Snoop Dog, que também já gravou com a menina de Honório Gurgel e com Ludmilla, além do veterano David Guetta, que depois de tantas vistas ao país já merecia a cidadania verde e amarela.

Também merecem destaque duas duplas de peso. O projeto Duck Sauce, composto pelos DJs norte-americanos Armand Van Helden e A-Trak, autores do já clássico e bem-humorado track “Barbra Streisand”; e o duo ucraniano Artbat, que já fez turnê brasileira com direito a clipe filmado no Pão de Açúcar.

A experiência virtual do Tomorrowland deverá unir fãs de música eletrônica aos de tecnologia, afeitos à linguagem dos videogames e da realidade aumentadal. E também os que querem apenas arrastar os móveis da sala e dançar para exorcizar 2020.