De 'torcedor solitário' a presidente, Tiago Rech comemora título do Santa Cruz-RS e vaga na Copa do Brasil

Renato de Alexandrino
·3 minuto de leitura

O quanto sua vida pode mudar em oito anos? Até onde seus sonhos podem lhe levar? No interior do Rio Grande do Sul, um jornalista de 33 anos está sonhando acordado, pedindo para que ninguém o belisque. Em 2012, Tiago Rech ficou conhecido como o "torcedor solitário" por ser o único na torcida do pequeno Santa Cruz-RS em uma partida contra o Grêmio, pelo Campeonato Gaúcho.

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Oito anos depois, Tiago é o presidente do seu clube do coração, que nesta terça-feira conquistou o primeiro título estadual em 107 anos de vida ao vencer a Copa FGF. A vitória nos pênaltis sobre o São José, em Porto Alegre, valeu ao "Galo", como o Futebol Clube Santa Cruz é conhecido, uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem.

- Ainda nem consegui parar para pensar direito, nem caiu a ficha que vamos jogar uma Copa do Brasil. Passamos por anos terríveis, e ontem vi que o Santa Cruz não merece isso. Tinha muita gente na rua, de camiseta, celebrando, acompanhando a carreata. Foi de arrepiar - conta Tiago, em entrevista ao GLOBO.

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A história do torcedor-que-virou-presidente teve início dois anos após a partida contra o Grêmio que o tornou famoso. Trabalhando como jornalista em Porto Alegre, Tiago resolveu voltar para Santa Cruz do Sul (a cerca de 150km da capital gaúcha) para ser assessor de imprensa do Galo. A ascensão ao cargo máximo do clube acabou sendo meteórica.

- Eu tinha, sim, a vontade de ser presidente. Aquela coisa de querer fazer a diferença diante da situação complicada do clube (que em 2013 foi rebaixado para a segunda divisão do Gaúcho). Eu só não imaginava que seria tão cedo. Em 2014, como assessor de imprensa, reuni os conselheiros para apresentar uma ideia que eu tinha, do Santa Cruz jogar a Copinha (Copa FGF, disputada entre os clubes do interior no segundo semestre). Eles perguntaram se eu queria ser presidente, e acabei topando.

Junto com a ascensão vieram as dores de cabeça resultantes de problemas comuns a clubes pequenos ao redor do Brasil: a falta de recursos.

- A situação financeira do clube era muito difícil, em um ano até pensamos em não jogar o campeonato. Deixei o clube em 2015 meio abalado, pensando em nunca mais voltar, mas em 2018 surgiu de novo a oportunidade de ser presidente. São poucas pessoas se doando, voluntariamente, por amor. Nas reuniões de conselho vão três, quatro, cinco pessoas só. É complicado. Temos poucos recursos, a gente está sempre tendo que passar o chapéu para completar as contas - revela Tiago, que comemora a entrada de aportes financeiros pelo mecanismo de solidariedade da Fifa no caso do goleiro Tiago Volpi, hoje no São Paulo, que jogou no Santa Cruz no início de carreira.

Passada a carreata e a festa de comemoração pelo título, Tiago Rech já começa a sonhar alto novamente. Em março, o Santa Cruz vai disputar pela primeira vez a Copa do Brasil. Em 2019, o Avenida, rival da cidade, surpreendeu ao eliminar o Guarani na primeira fase, caindo depois para o Corinthians, em São Paulo. Tiago também quer ver seu clube jogando em uma grande arena nacional:

- A gente brinca que queria jogar no Maracanã. Quem sabe? Enfrentar um Flamengo, uma outra equipe do Rio. O Avenida jogou no Itaquerão, quem sabe o Santa Cruz não tem essa chance de jogar no templo do futebol brasileiro. Seria um sonho.

Não duvide dos sonhos de Tiago Rech.

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