Torres anuncia ex-chefe de segurança do STF como novo diretor-geral da PF

CAMILA MATTOSO
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O novo ministro da Justiça, Anderson Torres, escolheu Paulo Maiurino para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Ele foi secretário de segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) até setembro de 2020. O delegado assumirá o cargo no lugar de Rolando de Souza, que havia sido escolhido por Alexandre Ramagem, diretor-geral da Abin. Na Polícia Rodoviária Federal, Eduardo Aggio dará lugar ao inspetor Silvinei Vasques. Com a concretização da troca, o governo Bolsonaro tem o seu quarto diretor-geral da PF. Antes de Rolando, passaram pelo cargo Maurício Valeixo e Alexandre Ramagem.​ O comando da PF é considerado estratégico por Bolsonaro e esteve no centro da disputa do presidente com o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Ao pedir demissão do governo, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF, órgão que mantém investigações no entorno de aliados e da família presidencial. No mês passado, a PF abriu inquérito para apurar suposto tráfico de influência de Jair Renan, filho 04 do presidente, por meio da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, empresa aberta em novembro. O inquérito foi instaurado a partir de um pedido feito pela Procuradoria da República no Distrito Federal, no dia 8 de março, conforme revelou o jornal Folha de S.Paulo. A medida foi tomada pela Procuradoria com base em representações movidas pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP) e pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE), que citaram reportagens da revista Veja e da Folha de S.Paulo. A Veja revelou em novembro que Renan visitou as instalações de um grupo empresarial do Espírito Santo que comercializa material de construção. Logo depois, informou a revista, eles doaram um carro elétrico a Renan, avaliado em R$ 80 mil, e conseguiram apresentar um projeto ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Já a Folha de S.Paulo revelou em dezembro que a cobertura com fotos e vídeos da festa de inauguração da empresa de Renan, em outubro, foi realizada gratuitamente por uma produtora de conteúdo digital e comunicação corporativa, a Astronautas Filmes, que presta serviços ao governo federal. Somente no ano passado, a empresa recebeu ao menos R$ 1,4 milhão do governo Bolsonaro. A empresa prestou serviços para os ministérios da Educação, Saúde e Casa Civil. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) já foi interrogado pela PF no ano passado, no inquérito dos atos antidemocráticos, do STF (Supremo Tribunal Federal), investigação que busca identificar os responsáveis por ataques e ofensas à corte. Ao sair do governo, Sergio Moro disse que, além do diretor-geral, Bolsonaro queria trocar os superintendentes da PF no Rio e em Pernambuco. O ex-juiz da Lava Jato não expôs quais seriam os motivos do interesse de Bolsonaro, mas afirmou que não lhe foram apresentadas razões ou causas aceitáveis para esse tipo de substituição. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), por exemplo, já foi alvo de um procedimento sobre falsidade ideológica eleitoral por suposta ocultação de patrimônio na declaração de bens à Justiça eleitoral em 2014. A PF investigou se ele teria declarado um imóvel pelo valor abaixo do real, mas acabou arquivando o caso. A apuração sobre "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio começou após um relatório federal apontar movimentação de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor Fabrício Queiroz. Embora esse caso especificamente não esteja com a PF, o órgão tocava na época investigações envolvendo personagens em comum. E a Superintendência da PF no Rio tinha inquérito com base em relatório de inteligência financeira no qual o nome Queiroz era mencionado. A primeira crise que atingiu a PF teve como um dos panos de fundo uma investigação de crimes previdenciários que supostamente envolvia um dos grandes aliados de Bolsonaro, o deputado federal Hélio Negão (PSL-RJ). Um despacho de um delegado responsável pelo inquérito causou confusão e virou alvo de apuração, a pedido, na época, de Sergio Moro, pressionado pelo presidente. O documento recuperava casos de anos anteriores para levantar a possibilidade de um homem citado no inquérito ser, na verdade, o parlamentar. Em seguida, no entanto, dizia que não era, mas mandara o caso para os órgãos de inteligência e também decretara sigilo —dois procedimentos considerados fora do padrão para o tipo de investigação. A desconfiança da cúpula da polícia era que se tratava de uma fraude, com o objetivo de gerar desconfiança na PF do Rio.​