Tortura em mercado no RS: Agressores queriam R$800 por picanha furtada, diz polícia

Câmeras flagram homem que furtou picanha sendo chutado por suspeito de tortura em supermercado do RS - Foto: Reprodução/RBS TV
Câmeras flagram homem que furtou picanha sendo chutado por suspeito de tortura em supermercado do RS - Foto: Reprodução/RBS TV

Um dos homens agredidos no depósito de um supermercado de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, suspeito de furtar picanha no estabelecimento, pediu dinheiro ao filho para pagar pelo produto. As informações são do portal G1.

A informação, foi confirmada pela Polícia Civil, que teve acesso a áudios enviados para o filho da vítima, que naquele momento, já era alvo de tortura dentro da loja e tinha concordado em fazer o pagamento do valor da carne.

Os agressores, segundo a polícia, queriam R$ 800, mas o filho do homem que era agredido só conseguiu uma parte do valor.

"Mano, pode ser, mas tem que conseguir os outros 200 e pouco. Pode ser esses 500 agora. Tem que ser urgente aí, eles 'tão' só esperando", disse em mensagem de áudio divulgada pelo G1.

Além desse valor, a vítima também foi obrigada a fazer um pagamento de R$ 644 na conta do supermercado, já que o segurança foi até a rua e trouxe outro homem, que o esperava no carro, e que tinha outros pacotes de carne em sacolas de outros supermercados.

Sete pessoas estão sendo investigadas pela polícia por terem participado das agressões. Entre elas estão cinco seguranças do estabelecimento, o gerente Adriano Dias e o subgerente Jairo da Veiga.

Quatro dos sete envolvidos nas agressões, já foram identificados pela polícia. Três seguranças ainda não foram identificados.

Robertho Peternelli, delegado do caso, informou que a empresa na qual eles trabalham não respondeu aos pedidos para revelar os nomes deles. A Brigada Militar, a PM do RS, investiga se os seguranças ainda não identificados são policiais militares.

O comandante 15º Batalhão de Canoas da Brigada Militar, tenente coronel Jorge Dirceu Fiilho, diz que dois pontos serão analisados caso os suspeitos sejam policiais: o fato da lei vedar a atuação de agentes públicos como seguranças privados, na esfera militar, e as agressões, essas apuradas no âmbito civil.

Os funcionários do supermercado foram demitidos pelo estabelecimento.

O supermercado também encerrou o contrato com a empresa terceirizada que era responsável pela segurança do local.

Em nota, o Unisuper informou a decisão e disse que os protocolos de conduta e segurança do local estão sendo revisados.

"Viemos a público nos desculpar pelos fatos ocorridos na loja da Avenida Inconfidência, em Canoas. (...) Diante de uma conduta lamentável e cruel com a qual jamais concordaremos, informamos que encerramos o contrato com a empresa Glock Segurança, desligamos os funcionários envolvidos e iniciamos o trabalho de revisão de todos os nossos protocolos de segurança e de conduta", disse o supermercado.

O caso

De acordo com o delegado Robertho Peternelli, no dia 12 de outubro, a dupla teria furtado dois pacotes de picanha, que custam cerca de R$ 100 cada. Os dois homens, um deles negro, foram levados para o depósito do estabelecimento e espancados por cerca de 45 minutos.

A polícia teve conhecimento do caso, após um dos homens que sofreu as agressões ter dado entrada no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre com ferimentos graves. Ele tinha diversas fraturas no rosto e na cabeça e precisou ser colocado em coma induzido.

Um familiar da vítima contou para os policiais que o homem tinha sido espancado num supermercado em Canoas, a 20 quilômetros da Capital.