TPI autoriza investigação sobre crimes contra rohingyas em Mianmar

Mianmar lançou uma repressão militar em 2017 que forçou 740.000 Rohingya a fugir da fronteira para campos amplos em Bangladesh

Os juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) autorizaram nesta quinta-feira (14) uma investigação sobre os supostos crimes cometidos em Mianmar contra a minoria muçulmana dos rohingyas, incluindo violências e deportações forçadas.

O tribunal de Haia disse em comunicado que "autoriza o promotor a realizar uma investigação por supostos crimes dentro da jurisdição do TPI".

O promotor do TPI, Fatou Bensouda, abriu em setembro de 2018 uma investigação preliminar sobre a suposta deportação forçada dessa minoria muçulmana, que poderá constituir um crime contra a Humanidade.

Bensouda solicitou em junho de 2019 uma investigação completa, que os juízes aprovaram nesta quinta-feira.

Em agosto de 2017, mais de 740.000 muçulmanos rohingya de Minamar, um país predominantemente budista, fugiram após uma ofensiva do exército birmanês.

Perseguidos pelo exército e milícias budistas, os rohingyas se refugiaram em grandes campos improvisados em Bangladesh.

Embora Mianmar não faça parte do tratado que criou o TPI, o tribunal declarou-se competente para investigar a suposta deportação forçada para Bangladesh, que assinou o tratado.

Mianmar então rejeitou a decisão e denunciou uma "base legal duvidosa".