TPI processará líder de grupo islamita por destruição de mausoléus no Mali

Por Jo Biddle
Mesquita de Timbuktu antes de ser destruída em foto de 2010

Um tuareg, líder de um grupo islamita do Mali ligado à Al-Qaeda, foi levado neste sábado ao Tribunal Penal Internacional (TPI), acusado de ter participado em 2012 na destruição de mausoléus em Timbuktu, no norte do Mali.

Este é o primeiro caso envolvendo a destruição de edifícios religiosos e monumentos históricos tratado pelo TPI.

Além disso, Ahmad Al-Faqi Al-Mahdi é o primeiro suspeito detido no âmbito do inquérito aberto no início de 2013 no Mali na sequência dos abusos cometidos por grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda, que assumiram o controle do norte do Mali entre março e abril de 2012, após a retirada do exército ante uma rebelião tuareg.

Al-Faqi, um tuareg também conhecido como Abu Turab, foi colocado à disposição do TPI "pelas autoridades do Níger e chegou à unidade de detenção do Tribunal na Holanda", segundo o porta-voz do TPI, Fadi El-Abdallah.

O mandado de prisão contra Al-Faqi, datado de 18 de setembro de 2015, não fornece detalhes sobre a data ou circunstâncias de sua prisão.

Al-Faqi é acusado de ter cometido crimes de guerra por "liderar ataques contra dez edifícios religiosos (nove mausoléus e uma das três mais importantes mesquitas da cidade, Sidi Yahia) e monumentos históricos na antiga cidade de Timbuktu".

Estes ataques são "crimes graves", segundo o procurador do TPI, Fatou Bensouda.

Inscrito no Patrimônio Mundial da Unesco, "a cidade dos 333 santos" esteve nas mãos de grupos islâmicos armados entre abril de 2012 e janeiro de 2013.

Os jihadistas de diferentes movimentos ligados à Al-Qaeda, que consideram a veneração de santos como "idolatria", demoliram vários mausoléus, incluindo o da principal mesquita da cidade. Outros mausoléus do século XVI também foram destruídos.

Questionado pela AFP, o prefeito de Timbuktu, Haley Usmane, confirmou as suspeitas levantadas contra Al-Faqi e comemorou a sua detenção.

"Al-Faqi dirigiu toda a destruição dos mausoléus em Timbuktu (...) Destruir um mausoléu é como matar alguém, sua história, seu passado. Como todos os habitantes de Timbuktu, estou feliz", disse ele.

De acordo com o TPI, Al-Faki era um líder do Ansar Dine, um grupo islâmico radical vinculado à Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM), e teria sido "uma personalidade ativa no contexto da ocupação da cidade de Timbuktu".

O TPI suspeita que ele também participou na execução das decisões tomadas pelo Tribunal Islâmico de Timbuktu.

O TPI investiga desde o início de 2013 alegados crimes de guerra cometidos desde janeiro de 2012 no Mali por vários grupos armados "que aterrorizaram e infligiram sofrimento às populações".

Os jihadistas que controlaram o norte do Mali foram em grande parte expulsos após o lançamento, em janeiro de 2013, de uma intervenção militar internacional liderada pela França.

No entanto, ainda há áreas inteiras fora do controle das forças do Mali e estrangeiras.

A Unesco lançou em 2014 um vasto programa de reconstrução de Timbuktu e seus mausoléus, confiado a um grupo de pedreiros locais supervisionados pelo imã da grande mesquita de Djinguereber. De acordo com a agência da ONU, todos os mausoléus (Timbuktu tem 16) serão reconstruídos até o final do ano