Tráfico avança no berço da milícia no Rio e polícia faz operações

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar do Rio de Janeiro realiza nesta quarta-feira (25) operações na zona oeste da cidade para combater grupos de traficantes de drogas e milícias que atuam na região, além de coibir movimentações de criminosos entre comunidades.

A corporação informou que as ações estão concentradas nas comunidades da Gardênia Azul e Cidade de Deus, localizadas em Jacarepaguá.

O conflito entre tráfico e milícia deixou ao menos quatro mortos nos últimos 20 dias, de acordo com o delegado Marcus Drucker, da Delegacia de Homicídios da capital.

Até o momento, dois homens apontados como traficantes foram presos e dois fuzis, uma granada, uma réplica de pistola e drogas foram apreendidos. Os nomes dos presos não foram divulgados.

A maioria das comunidades da zona oeste estão dominadas por milícia, com exceção da Cidade de Deus, com influência da facção criminosa Comando Vermelho.

Na operação desta quarta, diversas ruas da comunidade que estavam bloqueadas por barricadas, impedindo o avanço dos blindados da polícia, foram desobstruídas por agentes da equipe de demolição da Polícia Militar, em conjunto com agentes do 18º BPM (Jacarepaguá).

A polícia já sabe que traficantes oriundos da Rocinha (zona sul), da Cidade de Deus e dos Complexos do Alemão e Penha (zona norte) estão diretamente ligados aos tiroteios. .

TRÁFICO MIRA RIO DAS PEDRAS, BERÇO DA MILÍCIA

Segundo relatório de inteligência da Polícia Civil, os tiroteios começaram depois que traficantes dominaram Rio das Pedras, primeira comunidade do estado a ser controlada por uma milícia.

Formada há 30 anos, a milícia local surgiu quando bombeiros e policiais que moravam na comunidade decidiram se unir para expulsar os traficantes que atuavam na região.

O grupo passou então a extorquir comerciantes e moradores, cobrando taxas em troca de proteção.

Os traficantes tomaram o controle da Gardênia Azul da milícia na madrugada de segunda (23). Fotos que circulam nas redes sociais mostram a suposta venda de entorpecentes na comunidade.

Agora, o tráfico estaria se aproveitando de uma fragmentação interna na liderança da milícia para se expandir e tentar dominar também Rio das Pedras.

No sábado, o miliciano Rodrigo Dias, conhecido como Pokémon, morreu durante ação da PM. Ele era apontado como um dos chefes da milícia da Muzema e de Rio das Pedras. "Estamos ainda trabalhando na inteligência para ver quem efetivamente o sucedeu", disse o delegado Mauro César da Silva.

Em nota, o governo do estado afirmou que "no último dia 10 foi inaugurada uma cabine blindada na Muzema, em atendimento a demanda do Conselho Comunitário do Cidade Integrada. Também no período de um ano, o trabalho investigativo da Polícia Civil representou junto à Justiça pelo bloqueio de contas, valores e bens das organizações criminosas da região do Itanhangá cerca de R$ 98 milhões".

Ainda de acordo com o governo, no último ano, 228 criminosos foram presos e dois adolescentes foram apreendidos.