Tráfico de pele motiva caça a albinos na África

Albina durante ritual tribal na África do Sul



É crescente na Tanzânia o número de ataques a albinos desde agosto deste ano. A prática violenta é fruto de uma relação entre preconceito e magia negra. Isso porque existe no país um intenso mercado negro de tráfico de pele albina, motivado principalmente pela crença de que partes do corpo de pessoas com albinismo possuem benefícios místicos e mágicos. As informações são da Vice.

Dois casos específicos chamaram mais atenção em agosto. No dia 5, três homens armados com facões arrancaram o braço de uma garota albina de apenas 15 anos. A família não teve reação, pois foi ameaçada de morte. Entre os três estava um curandeiro local que informou que o braço valeria até US$ 600 no mercado negro. Já no dia 14, um jovem albino foi encontrado totalmente mutilado, com boa parte de sua pele removida do torso.

“Na África Subsaariana existe uma crença significativa em bruxaria, que geralmente envolve partes de corpos humanos. Esse é o caso na região há muito tempo, bem antes da colonização. É parte de uma prática cultural, histórica e espiritual profundamente arraigada. Esses curandeiros são influentes há muito tempo nas comunidades, mas agora eles querem ganhar dinheiro, não apenas ser profissionais idosos e respeitados", afirmou Peter Ash, chefe de um grupo de direitos albinos, à Vice.

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Para resolver o problema, escancarado para o mundo em 2008 em relatório feito pela BBC, a ONU aposta em educação da população. Aos poucos, crianças albinas são introduzidas em escolas e são mais aceitas em hospitais. A situação, porém, está longe de ser resolvida. Parentes de albinos, por exemplo, ainda são adeptos de diversas práticas de proteção aos seus familiares. Por exemplo, enterram os albinos em covas sem marcação com medo de que os corpos sejam removidos em busca da pele.