Três discos recentes que merecem a lata de lixo

Semana passada, tive o desprazer de ouvir alguns discos lançados recentemente que me fizeram pensar a respeito da total falta de autocrítica de alguns artistas.

Sim, eu sei que, teoricamente, qualquer um envolvido no show business pode bater no peito e reivindicar para si mesmo a liberdade artística de fazer o que bem entender. Se vai conseguir isso, aí é outra história. Mesmo assim, fiquei até certo ponto surpreso em notar que o grau de qualidade das canções destes álbuns que vou citar abaixo é aproximadamente zero. Somados os momentos razoáveis, não encheriam uma xícara de café.

Seria um bom exemplo se cada um destes artistas ouvisse pessoas sinceras de seu staff na hora de apresentar uma nova canção e que viesse a público comentar as pressões que sofrem para lançar, antes da hora, ‘produtos’ que venham a atender às necessidades do mercado e, principalmente, de seus empregadores.

Abaixo, coloquei três dos piores discos que ouvi nos últimos dias e que foram lançados há pouco. Fiz questão de incluir apenas álbuns de gente internacional conhecida – com a exceção de um embuste que estão tentando emplacar como “nova sensação pop” – só para mostrar que não é só o mainstream brasileiro que anda chafurdando em uma lama bem mal cheirosa…

DREAM THEATER – The Astonishing

Foram embora as canções quilométricas com passagens complicadíssimas e com 349 notas por compasso, que agora deram lugar a temas mais curtos e amarrados por uma história mequetrefe – o uso da música como forma de combater uma tirania nos Estados Unidos em um futuro distante ou algo do tipo - para que a própria banda rotulasse o álbum como “conceitual”. Foi a desculpa perfeita para soltar um CD duplo com inacreditáveis 130 minutos de duração, cheio de músicas pavorosas que soam como se a banda fosse uma versão ‘metalizada’ do horrendo grupo Styx, com o vocalista James LaBrie fazendo as vozes de vários personagens com um mesmo timbre choroso e ‘senpfível’. Sem brincadeira: chegar ao final do disco foi uma tortura indescritível para os meus ouvidos…

GWEN STEFANI - This is What the Truth Feels Like

Não sei se o pavoroso No Doubt ainda existe – Deus queira que não -, mas sua vocalista continua a propiciar sua já tradicional ‘vergonha alheia’ em seu terceiro álbum solo. Sob o falso manto de uma pretensa “maturidade” – que nada mais é que as lamúrias causadas pelo fim de seu casamento com Gavin Rossdale, o vocalista do péssimo e finado Bush, e a alegria de ter encontrado um novo amor, o cantor country Blake Shelton -, Stefani apresenta apenas electropops bem vagabundos, como “Misery”, “You’re My Favorite” e “Send Me a Picture”. Para piorar, tem algumas porcarias que lembram o pior que a sua banda já fez - como a ridícula “Make Me Like You” – e tentativas em soar como a Rihanna em “Asking 4 It” e “Naughty”. É de vomitar!

FIFTH HARMONY – 7/27

É inacreditável que mesmo nos dias atuais ainda tenha gente acreditando e apostando em embustes musicais formados por garotas bonitas fazendo shows com playbacks e lançando discos que, se fossem cheirados por gatos, provocariam uma tempestade de areia tão intensa que encobriria toda a América do Norte. No caso destas jovens curvilíneas americanas, as horríveis canções servem apenas como justificativas para o lançamento de clipes nos “YouTubes da vida” e que vão deleitar apenas os masturbadores e garotas retardadas que passam horas na frente do espelho fazendo coreografias ridículas e sonhando com a volta das Spice Girls. É daqueles discos com “100% de aproveitamento zero”: nada se salva.