Três hábitos que ajudam a parar de fumar, segundo especialistas

Parar de fumar não é uma tarefa fácil, principalmente por se tratar de uma dependência química. Qualquer derivado do tabaco possui a nicotina — uma droga psicoativa — que ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central, induzindo ao vício. A falta dela é o motivo pelo qual as pessoas costumam fumar. Se a droga permanecer no corpo do indivíduo por mais tempo, a tendência é que a dependência seja menor. Portanto, a velocidade da metabolização da nicotina é um dos principais fatores para as pessoas se viciarem.

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Mesmo sendo uma tarefa árdua, existem diversos estudos e técnicas para o indivíduo parar de fumar. Dois principais modelos são: o abrupto, onde se prepara o paciente e combina uma data para ele parar de fumar, de uma vez só; e o gradual, que consiste na diminuição do número de cigarros gradativamente, e à medida que vai reduzindo, o resultado costuma aparecer.

Segundo Paulo Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, o tratamento para o fumante precisa ser personalizado. É necessário ter uma conversa com o paciente e verificar o funcionamento psicológico e comportamental. Contudo, existem alguns hábitos que são fundamentais:

1. Pratique atividades físicas

É recomendado que as pessoas que desejam parar de fumar pratiquem atividade físicas que elas gostem. O cigarro é conhecido por diminuir o colesterol bom, o HDL, enquanto os exercícios físicos aumentam.

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— A atividade aeróbica ajuda porque ela previne um pouco a nicotina, tira o apetite, aumenta o metabolismo. A pessoa que para de fumar, tende a ganhar algum peso, então a gente estimula a atividade física aeróbica, que vai tanto liberar os neurotransmissores quanto vai dar a sensação de prazer. Você está tirando o prazer artificial (cigarro) e colocando o natural (exercícios) — afirma Paulo Corrêa.

2. Faça dietas leves

Atente-se aos alimentos consumidos. Uma das preocupações de quem deseja parar de fumar é o ganho de peso. É importante entender que é normal o aumento do apetite durante o período pós-cessação, mas não passa de uma sensação temporária. Portanto, é recomendado seguir uma dieta mais leve, evitando carboidrato e gordura.

— Você vai ter mais apetite. Procuramos estimular hábitos saudáveis. A pessoa está acostumada com hábitos muito ruins (fumar), então a gente tenta povoar os hábitos com coisas mais positivas (atividades físicas, dieta mais leve). É bom que ela tenha essas orientações — diz o especialista.

3. Mude sua casa e elimine gatilhos

Os gatilhos são adversários diretos para os indivíduos que querem parar de fumar. Alguns estão ligados com alimentação (o exemplo mais comum é o café); outros são relacionados ao ambiente, tanto de casa quanto do trabalho. Sendo assim, modifique alguns elementos de casa, principalmente os que dão estímulos para começar a fumar.

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— Se você tem um canto da casa em que costumava fumar, chame uma empresa que vai tirar o cheiro (ruim), jogue a cadeira que você sentava fora. Mude os móveis de lugar para ter outra dinâmica — diz Paulo.

O 'cantinho do castigo'

Por mais que funcionem, as técnicas citadas acima não são garantias de funcionamento e eficácia. Por isso, especialistas vivem testando métodos diferentes. É o que relata a professora livre docente da faculdade de medicina da USP e diretora do programa de tratamento do tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz:

— Eu tenho a minha própria técnica, que quebra um pouco o paradigma. Muitos aconselhamentos que a gente dava, na prática era muito difícil para o paciente, porque o fumante dorme fumando e acorda fumando. Muitas vezes você restringir os hábitos da vida dele não quer dizer que ele vai parar de fumar, pelo contrário, você está privando coisas que as pessoas normalmente fazem — afirma Jaqueline.

— A minha técnica é chamada de "fume de castigo”. O indivíduo precisa se isolar e se deslocar, obrigando-o a se esforçar para fumar. Então se ele quiser beber um café, que beba sentado e na hora de fumar, que ele tenha que se levantar e ir para o “cantinho do castigo”. Onde ele vai para uma área externa da casa ou área de serviço, fica de pé, parado e olhando a parede. Em um estudo feito, das 75 pessoas que aderiram ao protocolo, houve uma redução de 30 a 50% no consumo — diz a diretora.

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