Três motoristas morreram e seis foram baleados após entrarem enganados em favelas do Rio, desde outubro de 2021

Os casos de homicídio e a tentativa de homicídio, ocorridos na última quarta-feira, contra um policial militar e um caminhoneiro que entraram por engano em duas favelas do Rio, não são exceção no Estado. Desde outubro de 2021, aconteceram ao menos outras cinco ocorrências de disparos feitos contra automóveis que acabaram em comunidades por desatenção dos motoristas - duas pessoas morreram e cinco foram baleadas.

Apesar da queda no acumulado do ano, roubos de rua, veículo e carga sobem em outubro

Baixa histórica: Rio tem este ano menor número de homicídios desde 1991, mas índice sobe em outubro

Nesta quinta-feira, a Polícia Civil do Rio instaurou inquéritos para investigar os casos dos dois homens atingidos. As ocorrências são referentes aos episódios do subtenente do 4º BPM (São Cristóvão) Luis Carlos da Silva, de 52 anos, que foi alvejado por disparos ao tentar fugir de um engarrafamento e passar pela favela Cavalo de Aço, em Senador Camará; e de William Lúcio Lourenzo, de 46, que foi baleado dentro da Vila Aliança e continua em estado grave no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz.

O contexto é, na maioria das vezes, o mesmo. Os motoristas entram em favelas enganados e acabam por ser atacados por integrantes de facções criminosas. Os casos fazem com que profissionais que trabalham com os automóveis não entrem em áreas periféricas do Rio.

No dia 27 de outubro de 2022, menos de um mês atrás, um caso com as mesmas características terminou na morte do motorista de aplicativo Paulo Alberto Lara Fernandes, de 56 anos. Segundo informações da Polícia Militar, o homem foi baleado por bandidos ao entrar por engano na Rua Fernando Lobo, em Ricardo de Albuquerque, região do Complexo de Comunidades do Chapadão, na Zona Norte do Rio.

Fernandes chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Capital e ainda está sendo investigado.

Dados da violência: Apesar da queda no acumulado do ano, roubos de rua, veículo e carga sobem em outubro

No dia 14 de outubro, dez dias antes da morte de Fernandes, dois turistas italianos foram baleados após entrarem por engano na Baixada do Sapateiro, comunidade pertencentes ao Complexo da Maré, na Zona Norte. Eles estavam voltando de uma festa na Marina da Glória, na Zona Sul, quando foram abastecer o carro na Avenida Brasil e acabaram na comunidade por orientação do GPS.

Segundo informações da Polícia Militar, Riccardo Cefis, de 21 anos, foi atingido na costela e Nicolo Desiato, de 23 anos, foi ferido no braço esquerdo. O ataque dos criminosos ao grupo teria acontecido às 4h30.

Também enganado pelo GPS, um carro de uma equipe do Gabinete de Segurança Institucional do Governo do Estado do Rio foi alvejada, em Junho de 2022, por criminosos na favela Nova Holanda, em Macaé, região dos Lagos.

Justiça: Veja a situação jurídica de Sérgio Cabral e de seu filho, alvo de operação da PF

Informações divulgadas na época pela equipe do governo, afirmavam que os dirigentes faziam uma precursora - que é uma avaliação o local antes da chegada do governador - de uma agenda de Cláudio Castro (PL). Um dos policiais em serviço foi atingido e perdeu um dos dedos.

Esse tipo de ataque pode ocasionar na morte até mesmo de moradores que estejam circulando pela favela na hora do ataque. Como o episódio de maio deste ano, em que uma professora teve o carro metralhado por traficantes da favela Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio, e pelo medo tentou fugir e acabou atropelando o pedreiro Eduardo da Silva Guilherme que trabalhava na região e acabou morrendo.

Dia de operações: Homem morre durante operação da polícia no Complexo da Maré

De acordo com a Polícia Militar, a mulher e seu filho estavam vindos do Paraná e em busca de um hotel quando entraram na Estrada do Taquaral, após a indicação dada por um aplicativo de mapas. A professora foi levada ao hospital Albert Schweitzer com ferimentos de bala no pé esquerdo e na perna direita.

Os ataques não começaram este ano, em outubro de 2021, um militar do Exército Flávio Amaral Teixeira, de 29 anos foi morto a tiros enquanto trabalhava como motorista de aplicativos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O jovem levava duas pessoas para o bairro Dom Bosco na noite de um domingo quando entrou por engano em uma comunidade.

Segundo testemunhas, os traficantes teriam se assustado com a entrada do militar e fizeram disparos contra ele. Flávio foi atingido na cabeça e na perna e acabou morrendo.