Três pessoas morrem e 30 ficam feridas em liberação de refinaria na Bolívia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três pessoas morreram baleadas e pelo menos outras 30 ficaram feridas num confronto entre manifestantes e militares que tentavam liberar o acesso a uma refinaria de combustíveis em El Alto, cidade vizinha de La Paz, nesta terça-feira (19). Os números foram informados pela Defensoria Pública da Bolívia ao jornal El Deber.

A polícia e as forças militares bolivianas usaram helicópteros e blindados para desbloquear a saída da refinaria, que tinha sido fechada com pilhas de pneus em chamas por apoiadores do ex-presidente Evo Morales.

Os manifestantes ocupavam o local havia alguns dias e impediam a saída dos caminhões-tanques que deveriam levar combustível para La Paz -a capital está afetada por uma grave crise de abastecimento.

Do México, onde está asilado desde que renunciou ao cargo em 10 de novembro, Evo escreveu numa rede social que o governo interino, "no estilo de ditaduras militares", mata seus "irmãos em El Alto, que resistem pacificamente ao golpe e lutam em defesa da vida e da democracia".

Na sexta-feira (15), a autoproclamada presidente interina, Jeanine Añez, assinou um decreto que isenta os militares de processos penais quando atuarem em "legítima defesa ou estado de necessidade" no cumprimento de "suas funções constitucionais".

O documento foi considerado "grave" pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que publicou um relatório somando 23 mortos desde que os conflitos começaram (nove desde que Añez se declarou presidente em 13 de novembro). Confirmados os mortos de hoje, o total passa para 26.

O governo de Añez afirma que existe base legal para o decreto na Constituição e na Lei Orgânica das Forças Armadas e que a intenção é evitar mais mortes.

"Este decreto simplesmente autoriza que, de maneira conjunta com a polícia, possam atuar no cumprimento e resguardo da ordem e da segurança de todos os bolivianos", disse o ministro da Presidência, Jerjes Justiniano.

No sábado (16), a Alta Comissária da Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachellet, afirmou que o uso desnecessário e desproporcionou da força policial e militar pode fazer com que a situação da Bolívia saia do controle.