Três pessoas participaram da execução do contraventor Fernando Iggnácio, aponta investigação

Marcos Nunes
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Domingos Peixoto em 10-11-2020 / Agência O Globo
Domingos Peixoto em 10-11-2020 / Agência O Globo

RIO — A Polícia Civil já sabe que pelo menos três pessoas participaram da morte do contraventor Fernando iggnácio, executado com tiros de fuzil Ak-47, calibre 762, no pátio do estacionamento de uma empresa de fretamento de helicópteros, no último dia 10, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

Ao analisar marcas de calçados encontradas num terreno baldio, caminho utilizado por quem disparou os tiros que mataram o bicheiro, peritos descobriram que três criminosos usaram coturnos com uma mesma numeração. No entanto, isso não seria apenas uma coincidência. A polícia analisa a hipótese de que os assassinos utilizaram o recurso para tentar confundir os investigadores. O objetivo seria o de fazer com que eles acreditassem que as pegadas localizadas pertenciam à mesma pessoa. A ação teria sido planejada para dificultar a descoberta de que três homens armados estiveram na cena do crime.

Investigadores da Delegacia de Homicídios da Capital (DH) tentam agora saber se os disparos que mataram o contraventor foram feitos por um único atirador ou não. Caso a hipótese de um único executor se confirme, a dupla que esteve no local do crime teria a função apenas de dar apoio ao escolhido para executar Fernando Iggnácio. Sete cápsulas deflagradas de fuzil foram recolhidas por peritos, próximo ao muro usado pelos responsáveis pela morte de Iggnácio. O relatório preliminar da autópsia da vítima revela que o bicheiro foi atingido por cinco tiros em diferentes regiões do corpo. Um acertou a cabeça, outro o antebraço e três no peito. A policia conformou que Carmem Lúcia de Andrade Iggnácio, veio no helicóptero com o marido, Fernando Iggnácio, de Angra dos Reis, na Costa Verde, para o Rio, pouco antes de o crime acontecer.

Como acontecia rotineiramente, ela teria ficado aguardando o marido pegar o carro blindado, no estacionamento do heliporto, para só então descer da aeronave. De acordo com relatos de testemunhas, prestados à polícia, ao ouvir os tiros, ela chegou a desembarcar e correu para ver o que estaria acontecendo. Ainda segundo os depoimentos, Carmem se assustou ao ver o corpo do contraventor e voltou correndo para o helicóptero, que em seguida levantou voo novamente. Sete pessoas foram ouvidas até agora, entre elas um parente do bicheiro e o piloto do helicóptero .

A Delegacia de Homicídios da Capital espera ouvir Carmem Lúcia ainda esta semana. Investigadores consideram o depoimento dela importante para entender porque o bicheiro estava sem seguranças quando foi executado. Iggnácio habitualmente andava acompanhado de homens que faziam sua escolta. No entanto, por volta das 13h30 do dia 10, ele saiu sozinho do helicóptero para buscar seu carro, uma Ranger Rover blindada, no pátio do estacionamento do heliporto. Quando a vítima se aproximou do carro, disparos foram feitos por cima de um muro, que separa a empresa de táxi aéreo do terreno baldio. Segundo a polícia, os tiros foram disparados quando Fernando Iggnácio estava a uma distância de cinco metros do (s) assassino (s).