Três pontos-chave dos protestos indígenas no Equador

Com pneus em chamas, pedras e enormes troncos bloqueando ruas dentro e fora da cidade, indígenas do Equador começaram nesta segunda-feira sua segunda semana de protestos contra o governo conservador de Guillermo Lasso.

As manifestações, às quais se uniram estudantes e trabalhadores, denunciam o "alto custo de vida" na dolarizada economia equatoriana, em meio à alta de preços em todo o mundo.

A seguir, três pontos-chave para entender os protestos:

- 1. O peso do movimento indígena -

Com uma ampla capacidade de mobilização, a Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) ganhou força em 1990 com um levante histórico que conseguiu que o governo concedesse 2,3 milhões de hectares de terras a comunidades da Amazônia e serra andina.

Atualmente, seu braço político Pachakutik é a segunda força no Legislativo, onde a oposição está dispersa, mas tem maioria.

Entre 1997 e 2005, o movimento participou de protestos que derrubaram três presidentes. Em 2019, liderou manifestações que deixaram 11 mortos e mais de mil feridos e obrigaram o então presidente Lenín Moreno a recuar no corte de subsídios aos combustíveis.

A Conaie é a "principal organização social do país", disse à AFP Franklin Ramírez, cientista político da Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais de Quito.

Os indígenas representam mais de um milhão dos 17,7 milhões de habitantes do Equador.

- 2. O estopim: a gasolina -

O Equador exporta petróleo, mas importa combustíveis que vende com subsídios que custaram  2,8 bilhões de dólares ao governo entre 2014 e 2022, segundo o Ministério da Economia.

Em pouco mais de um ano, o governo subiu o galão de diesel em 90% e a gasolina em 46%. Desde outubro, os preços estão congelados por pressão dos nativos. Os protestos exigem que esse preços baixem.

O movimento, liderado por Leonidas Iza desde 2021, também exige uma moratória para o pagamento de dívidas de agricultores, o controle de preços agrícolas, mais emprego, suspensão de concessões à mineração em territórios indígenas e novos investimentos em saúde, educação e segurança.

Para conter a crise, Lasso mandou aumentar de 50 a 55 dólares um auxílio a 30% da população mais vulnerável, subsídios a pequenos e médios produtores e perdão a créditos vencidos de até três mil dólares concedidos pelo banco estatal para o fomento produtivo.

Também declarou emergência no sistema de saúde pública para destinar recursos extras e duplicou o orçamento para a educação intercultural.

- 3. Quanto tempo e a que custo? -

Ao contrário de outros protestos, os indígenas ainda não avançaram a Quito.

Ramírez considera que não há condições para que as manifestações durem mais tempo.

"O país está em crise econômica, começávamos a nos estabilizar após a pandemia. Não se até que ponto as classes médias e populares devem apoiar os protestos se afetam os negócios", alertou.

Os protestos acarretaram perdas de pelo menos 60 milhões de dólares nos primeiros cinco dias no setor produtivo nacional, afirmou à AFP a Câmara do Comércio de Quito.

Também afetaram a produção de petróleo, principal produto de exportação, e o cultivo e exportação de flores.

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