Três problemas no raciocínio de Eduardo Bolsonaro sobre a Huawei e o 5G

Pedro Doria
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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou ao GLOBO que está prestando particular atenção no leilão do 5G. Tem foco específico: a entrada da chinesa Huawei na infraestrutura da rede. “Para uma parceria militar com os Estados Unidos”, ele perguntou, “como é que vão poder confiar se houver interferência chinesa?” Simpático ao presidente americano Donald Trump, o parlamentar preferiria que o Brasil não utilizasse a tecnologia da empresa que o governo dos EUA gostaria de evitar. Ele argumenta que não se trata de uma empresa privada. Há, porém, três problemas no raciocínio.

O primeiro é que inúmeros parceiros militares dos EUA decidiram permitir equipamento Huawei em suas redes 5G ­— a começar pelo principal, o Reino Unido. Os serviços de inteligência americanos compartilharam com os britânicos tudo o que tinham sobre a chinesa. Ao examinar, concluíram que nada justificava proibir uma parceria.

O segundo é que a Huawei é uma empresa privada. Mais de 99% de suas ações pertencem ao sindicato de funcionários. É possível, sim, que exista interferência do governo chinês. É uma ditadura. Mas o fundador e CEO Ren Zhengfei tem seus conflitos com o governo de Beijing. A relação não é de todo fluida.

Por fim, o governo brasileiro vai leiloar espectro de frequência. As empresas que comprarem seus nacos de ‘ar’ vão instalar antenas para vender acesso 5G a seus clientes. São estas empresas que definem que tecnologia comprarão. Hoje, no 4G, aproximadamente metade do equipamento já é Huawei.