Trabalhadores chineses protestam em fábrica de iPhones; produção pode ter sido afetada

Grupo de pessoas atravessa uma cerca derrubada após um protesto na fábrica da Foxconn, em Zhengzhou

XANGAI/TAIPÉ (Reuters) - Centenas de trabalhadores se juntaram aos protestos na China em fábrica de iPhones da Foxconn, fornecedora da Apple, com alguns homens quebrando câmeras de vigilância e janelas, segundo imagens publicadas nas redes sociais.

As raras cenas de dissidência pública na China marcam uma escalada da agitação na fábrica na cidade de Zhengzhou, que passou a simbolizar uma acumulação de frustração com as rígidas regras de Covid-19 do país, bem como o trato ineficiente da situação pela maior fabricante terceirizada do mundo.

O estopim para os protestos, que começaram nesta quarta-feira, parecia ser um plano para atrasar o pagamento de bônus, disseram muitos dos manifestantes em transmissões ao vivo. Os vídeos não puderam ser imediatamente verificados pela Reuters.

"Paguem-nos!", cantavam os trabalhadores cercados por pessoas em trajes completos de proteção, alguns carregando cassetetes, de acordo com imagens de um vídeo. Outras imagens mostraram gás lacrimogêneo sendo disparado e barreiras de quarentena sendo derrubadas por trabalhadores. Alguns reclamaram que foram forçados a dividir dormitórios com colegas que testaram positivo para Covid-19.

A Foxconn disse em comunicado que cumpriu seus contratos de pagamento e que os relatos de funcionários infectados morando na instalação com novos contratados eram "falsos".

"Em relação a qualquer violência, a empresa continuará a se comunicar com os funcionários e o governo para evitar que incidentes semelhantes aconteçam novamente", acrescentou a empresa.

Uma fonte familiarizada com a situação em Zhengzhou disse que a produção na fábrica não foi afetada pela agitação dos trabalhadores.

A Reuters informou anteriormente que a Foxconn pretendia retomar a produção total na fábrica de Zhengzhou na segunda metade de novembro.

Embora os protestos tenham adicionado "incertezas" ao objetivo, a fonte disse que a empresa ainda está trabalhando para alcançá-lo, acrescentando que "apenas uma parte" dos novos funcionários participou da agitação.

Uma segunda fonte familiarizada com o assunto, no entanto, disse que a Foxconn provavelmente não atingirá a meta, diante de interrupções provocadas pela agitação, impactando particularmente novos trabalhadores contratados para preencher a lacuna na força de trabalho.

O descontentamento com as rígidas regras de quarentena, a incapacidade da empresa de conter surtos e as más condições, incluindo escassez de alimentos, fizeram com que trabalhadores deixassem a instalação desde que a empresa impôs o chamado sistema de circuito fechado no final de outubro. Nesse sistema, a equipe vive e trabalha no local.

A Foxconn é a maior fornecedora de iPhone da Apple, respondendo por 70% dos dispositivo em todo o mundo. A empresa fabrica a maioria dos celulares na planta de Zhengzhou, que antes das agitações empregava cerca de 200 mil pessoas, embora tenha outras unidades menores na Índia e no sul da China.

A Apple não respondeu a pedidos de comentários. O governo de Zhengzhou não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por fax.

(Por Brenda Goh e redação de Pequim; reportagem adicional de David Kirton, em Shenzhen, Yimou Lee, em Taipé, e Yew Lun Tian)