Trabalhadores da saúde protestam contra gestão da pandemia na Colômbia

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Protesto simbólico com cadeiras vazias pelas mortes de trabalhadores da saúde durante a pandemia em Bogotá, 26 de outubro de 2020
Protesto simbólico com cadeiras vazias pelas mortes de trabalhadores da saúde durante a pandemia em Bogotá, 26 de outubro de 2020

Um grupo de trabalhadores da saúde realizou nesta segunda-feira (26), na praça central de Bogotá, um protesto simbólico contra a forma como o governo colombiano tem gerenciado a pandemia do novo coronavírus.

Os manifestantes colocaram na praça 165 cadeiras brancas, representando o número de trabalhadores de saúde mortos pelo novo coronavírus na Colômbia, que no sábado passado superou um milhão de contágios e soma 30.154 mortes.

"É uma homenagem a todos os trabalhadores de saúde que morreram durante a pandemia (...) Eram mortes evitáveis, que se deveram à falta de elementos de proteção pessoal e à forma com que o governo decidiu responder a esta pandemia", disse à AFP o doutor Herman Bayona, presidente do Colégio Médico de Bogotá. 

Sobre cada uma das cadeiras, os manifestantes colocaram uma fita preta, uma rosa e um papel com o nome, a idade, a profissão e a data de falecimento de seus colegas, vítimas da covid-19.

Bayona denunciou uma "subnotificação" das mortes pelo vírus entre o pessoal de saúde, apresentadas pelo governo, que em seu boletim mais recente estimou 93 óbitos nesta parte da população.

"É uma subnotificação em todos os níveis, obviamente acreditamos que há muitíssimo mais que um milhão de contagiados porque se fez toda a testagem maciça que se precisava fazer", acrescentou o médico.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde (INS), a Colômbia ocupa o décimo lugar na região em mortes por milhão de habitantes por causa do novo coronavírus, com uma média de 561. A cifra equivale a cerca da metade da do Peru (1.016 por milhão) e é cerca de um quarto da do Brasil (719). 

No entanto, Bayona acusou o governo de priorizar "o tema econômico sobre o direito à saúde e à vida", e questionou a "intermediação" dos recursos destinados à gestão da emergência sanitária através de empresas privadas, chamadas Entidades Promotoras de Saúde (EPS).  

"Para economizar dinheiro das EPS (os funcionários do governo) limitaram os testes" para a covid-19, denunciou Gina Rojas, médica e porta-voz da Dignidade Médica, uma organização que zela pelos interesses dos trabalhadores de saúde.

Após detectar o primeiro caso de covid-19, em 6 de março, o governo colombiano decretou um confinamento a partir do dia 25 daquele mês, mas foi relaxando as medidas ante o descalabro da economia. Desde 1º de setembro, mudou sua estratégia a uma baseada no autocuidado e no uso generalizado de máscaras em espaços públicos.

Com 50 milhões de habitantes, a Colômbia é o oitavo país a superar o milhão de contágios, depois de Estados Unidos, Índia, Brasil, Rússia, Argentina, Espanha e França.

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