Trabalhadores pretos recebem 40% menos do que brancos por hora trabalhada

Acesso à educação formal influencia nos salários dos trabalhadores (Getty Image)
Acesso à educação formal influencia nos salários dos trabalhadores (Getty Image)
  • Pesquisa do IBGE mostra que trabalhadores pretos e pardos ganham menos do que brancos;

  • Desigualdade se manteve estável ao longo de uma década de análises;

  • Acesso à educação superior é um dos fatores que influenciam na diferença de renda.

Os números não mentem quando o assunto é disparidade salarial. Trabalhadores pretos ganham 40,2% menos que a de um branco por hora trabalhada. Entre os pardos, o valor é 38,4% menor.

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traz dados do último semestre que mostram claramente a diferença de remunerações.

Enquanto pessoas brancas recebem, em média, R$ 19,22 por hora trabalhada, pretos ganham R$ 11,49 e pardos têm a faixa salarial fixada em R$ 11,84.

Na prática, isso significa que pretos e pardos precisam exercer mais tempo de atividade remunerada mais horas para conseguir a mesma quantidade de dinheiro que pessoas brancas.

Pernambuco é o estado com menor disparidade salarial. Já Brasília lidera no quesito da desigualdade no mercado de trabalho.

Os valores se mantiveram estáveis há uma década. De acordo com um documento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em 2021, falta de falta de acesso à educação superior é um dos fatores que influenciam na diferença de renda.

Nas duas últimas décadas, 65,1% dos cargos de nível superior estavam ocupados por brancos, enquanto pretos e pardos preenchiam 27,3% dessas vagas.

No entanto, a diferença de rendimentos entre trabalhadores brancos e pretos aumentou em 2019, chegando ao maior patamar desde 2016, conforme dados do IBGE. No ano passado, a renda média mensal de pessoas pretas equivalia a 55,8% da registrada pelos brancos.