Trabalho duro demais para se aposentar mais tarde: limpadores de esgoto parisienses repudiam reforma previdenciária

Limpadores de esgoto trabalham em Paris, França

Por Caroline Pailliez e Yiming Woo

PARIS (Reuters) - O trabalho de Guillaume Konrad é realizar e supervisionar trabalhos de limpeza e reparos de emergência no extenso sistema de esgoto de Paris. Ele ama isso. Mas é um trabalho duro e insalubre. E o homem de 38 anos não concorda com o novo plano do governo de fazê-lo trabalhar por mais tempo.

Como o trabalho é muito desgastante --muitas vezes envolvendo agachar-se em túneis escuros, antigos, estreitos e infestados de ratos-- sob as regras atuais, a equipe de Konrad agora se aposenta aos 52 anos, se tiverem anos suficientes de trabalho.

Mas, por ser supervisor, ele não desce com tanta frequência quanto sua equipe aos esgotos e, portanto, sua idade para aposentadoria, como para a maioria dos franceses, é 62 anos. Receber a informação de que agora ele terá que trabalhar mais dois anos, de acordo com os planos de reforma da previdência anunciados na terça-feira, parece ser demais para ele.

“É um trabalho perigoso em um ambiente hostil, onde você corre o risco de cair, se contaminar, se machucar, tem contato com vírus, bactérias, produtos tóxicos. Tudo isso traz risco para a nossa saúde”, disse.

A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, disse na terça-feira que a idade de aposentadoria será progressivamente aumentada para 64 anos e, a partir de 2027, será necessário ter trabalhado 43 anos para receber uma pensão completa.

O governo diz que isso é necessário para equilibrar as contas.

Os sindicatos rejeitam o argumento e prometem uma luta dura nas ruas para impedir a reforma, que ainda precisa da aprovação do Parlamento.

Konrad estará entre os que vão às ruas em um dia de greves em todo o país em 19 de janeiro.

Assim como Stephane Rouanoux, de 53 anos, que trabalhou na equipe de reparo de esgoto de emergência --que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana-- em Paris por 25 anos, a maior parte sem máscara de proteção, o que é exigido agora.

"Adicionar dois anos é muito difícil de aceitar, com tudo o que passamos", disse Rouanoux, veterano do exército que se juntou à equipe de limpeza de esgoto de Paris quando voltou à vida civil e ainda precisa esperar mais tempo para se aposentar.

Rouanoux disse que os planos de reforma deixaram ele e seus colegas irritados e que eles marcharão contra isso.

A questão, para o governo e para os sindicatos, será quantos se juntarão a eles.