Trabalho informal cresce, mas taxa de desemprego segue em 14,1%

FERNANDA BRIGATTI
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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.09.2020 - Pessoas olham para anúncios de vagas de emprego na Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.09.2020 - Pessoas olham para anúncios de vagas de emprego na Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAAPRESS) - A taxa de desemprego ficou estável no trimestre encerrado em novembro, em 14,1%, mantendo-se no patamar recorde de 14 milhões de pessoas, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados nesta quinta (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A população ocupada aumentou 4,7% nos três meses até novembro e chegou a 85,6 milhões de pessoas, um incremento de 3,9 milhões ante o trimestre anterior. Esse avanço é o maior de toda a série histórica, segundo a analista da Pnad, Adriana Beringuy.

O crescimento foi puxado principalmente pela informalidade, que está em 39,1%.

Mais gente está trabalhando, mas desemprego ainda atinge 14 milhões de pessoas - Mathilde Missioneiro-30.set.20/Folhapress

A desocupação estável apesar do aumento no número de ocupados é explicada pela movimentação da força de trabalho.

No trimestre encerrado em novembro, o IBGE registrou queda no contingente fora da força, que são aqueles que não estão trabalhando nem buscando colocação –2,7 milhões de pessoas deixaram essa condição no período.

Adriana disse que, apesar do recuo de 3,4% no trimestre, o número ainda é muito grande. São 76 milhões de trabalhadores com 14 ou mais fora do mercado de trabalho.

Na comparação com o mesmo trimestre em 2019, essa população é 11,3 milhões maior em 2020 –um avanço de 17,3%.

Ao mesmo tempo, a força de trabalho, que reúne os que estão ocupados e os que estão procurando uma vaga, aumentou 4,3% ante o trimestre anterior, com 4,1 milhões de pessoas a mais.

A retração da força de trabalho no ano passado foi vista como consequência do fechamento de negócios, das recomendações de distanciamento social e também do pagamento do auxílio emergencial, que garantiu uma renda a quem não tinha vínculo formal.

Entre os informais, o número de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 11,2% no trimestre e chegou a 9,7 milhões de pessoas.

Somadas todas as categorias de informais, que incluem os domésticos, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e os familiares, 33,5 milhões de pessoas estão na informalidade.

O avanço no número de trabalhadores atuando na informalidade já era esperado, uma vez que esses trabalhadores foram os mais afetados quando a pandemia começou, em março de 2020.

“A população informal nesse mês de novembro corresponde a cerca de 62% do crescimento da ocupação total e, no trimestre encerrado em outubro, respondia por quase 89% da reação da ocupação”, disse Adriana.

A redução na participação é efeito, segundo a analista, da reação das ocupações formais.

No trimestre até novembro, 895 mil pessoas passaram a trabalhar no setor privado com carteira assinada, um crescimento de 3,1% ante o trimestre anterior, pelas contas do IBGE. Na comparação com o mesmo período do ano passado, no entanto, a queda é 10,3%.

Houve alta também no número de trabalhadores domésticos, com o acréscimo 231 mil novas colocações. O resultado foi um avanço de 5,1% ante o trimestre anterior, mas representa uma queda de 24,6% em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2019.

Por setor da economia, 9 entre os 10 analisados registraram aumento na ocupação no trimestre. Somente o comércio empregou 854 mil pessoas no trimestre até novembro.

"Assim como no mesmo período do ano anterior, foi o setor que mais absorveu as pessoas na ocupação, causando reflexos positivos para o trabalho com carteira no setor privado que, após vários meses de queda, mostra uma reação”, disse Adriana.

O crescimento recorde na população ocupada está ligado às quedas registradas nos trimestres anteriores e ao retorno das pessoas ao mercado de trabalho, em decorrência da flexibilização das medidas de distanciamento social para controle da pandemia.

No caso do comércio, a sazonalidade também contribuiu, uma vez que o fim do ano é tradicionalmente um período de aumento de negócios no setor, o que eleva a demanda por trabalhadores.

Também tiveram aumento na ocupação indústria, com 465 mil pessoas a mais, construção civil, com 457 mil novos empregados, administração pública, com 427 mil, alojamento e alimentação, 400 mil, transporte, armazenagem e correios, com 238 mil.