Trabalho intermitente não gerou empregos e paga menos que um salário mínimo, mostra estudo do Dieese

Entre os vínculos intermitentes que registraram algum trabalho em 2018, 49% geraram remuneração média inferior ao salário mínimo

A Reforma Trabalhista, que entrou em vigor em novembro de 2017, criou a possibilidade de trabalho intermitente, ou seja, em que o trabalhador fica à disposição da empresa, e só recebe quando é convocado. A expectativa do governo é que essa nova modalidade ajudasse no combate ao desemprego e na formalização. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), porém, mostra que não foi isso que aconteceu.

Em 2018, foram computados 87 mil contratos intermitentes, dos quais 62 mil duraram pelo menos até o final daquele ano, o que equivalia a apenas 0,13% do estoque de vínculos ativos. A estimativa é que em novembro de 2019 eram 138 mil contratos intermitentes, respondendo por cerca de 0,29% do total de vínculos.

Além disso, entre os vínculos admitidos em 2018, 11% não tiveram renda para o trabalhador. Ou seja, eles não foram convocados pelas empresas para trabalhar.

E, mesmo entre os que tiveram renda, o valor ficou abaixo do salário mínimo. Ao final de 2018, a remuneração mensal média paga para cada vínculo intermitente foi de R$ 763, contando os meses a partir da admissão, trabalhados ou não. Na época, esse valor equivalia a cerca de 80% do valor do salário mínimo (R$ 954).

 

"Ao contrário dos outros tipos de vínculo, o intermitente é caracterizado pela instabilidade, já que não garante nem trabalho nem renda para os trabalhadores contratados nessa categoria", conclui o relatório da Dieese.

Envie denúncias, informações, vídeos e imagens para o WhatsApp do Extra (21 99644 1263)