Trabalho remoto pode 'mudar a civilização', mas falta de interação social gera um sentimento de solidão

© A.Hird/RFI

As transformações vivenciadas com a pandemia, especialmente no que se refere às relações entre empresas e trabalhadores, têm sido tema de destaque, esta semana, na imprensa francesa. As relações de gênero, entretanto, continuam desiguais, com mulheres sendo mais afetadas por acidentes de trabalho.

Por Tatiana Ávila

A revistaLe Point alerta que em breve muitas companhias devem adotar o cargo de “chief remote officer”, ou “coordenador de trabalho remoto”, uma função que seria responsável por pensar o trabalho remoto e antecipar as melhores maneiras de estimular os empregados que trabalham de casa.

Ouvido pela revista, o bilionário Marc Andreessen, membro do conselho de administração do grupo Meta, chegou a dizer que “o trabalho à distância tem potencial para mudar a civilização”. Mas, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, 66% dos teletrabalhadores reconhecem que a ausência de interação social gera um sentimento de solidão e isolamento. Além disso, muitas empresas têm incentivado os profissionais a voltarem para os escritórios.

Ainda na Le Point, uma outra matéria informa que os acidentes de trabalho têm acometido as mulheres com mais frequência. Um relatório da Agência nacional francesa de Melhoria das Condições de Trabalho (Anact) mostra que, a cada ano, os riscos envolvendo os trabalhadores homens vão diminuindo, enquanto as profissionais acabam sofrendo mais com quedas, agressões de clientes e problemas de coluna relacionados aos cuidados com crianças ou pessoas doentes. Esses riscos seriam subestimados em profissões nas áreas de saúde, comércio, serviços sociais e na limpeza, ambientes em que as profissionais do sexo feminino estão em maior número.

Já a revista L’Express traz dados da Fundação Jean Jaurès e do Instituto francês de Opinião Pública que mostram que a pandemia causou uma mudança profunda na maneira como os franceses enxergam a vida profissional. Atualmente, somente 24% das pessoas consideram que o trabalho possui uma posição “muito importante” em suas vidas cotidianas. Em 1990, esse número era de 60%, mostrando que o trabalho perdeu sua posição de destaque no dia a dia dos franceses, não sendo mais considerado um ponto primordial para a realização pessoal.

A pesquisa mostra ainda que, entre os entrevistados, o trabalho está mais relacionado à rotina e à segurança que ao sentimento de orgulho por determinada função.

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