Tradição de entrega da chave da cidade pelo prefeito ao Rei Momo vai ser retomada após seis anos

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Uma tradição que havia sido interrompida nos últimos anos, desde o começo da gestão de Marcelo Crivella na prefeitura, a entrega da chave da cidade pelo prefeito ao Rei Momo, abrindo oficialmente o carnaval, vai ser resgatada esse ano. A promessa foi feita neste sábado pelo prefeito Eduardo Paes em visita à Cidade do Samba, na Gamboa, onde foi conferir pessoalmente nos barracões das escolas de samba os últimos preparativos para os desfiles da semana que vem na Marquês de Sapucaí. A cerimônia simbólica está marcada para a próxima quarta-feira.

— Na quarta-feira eu declaro aberto o carnaval carioca e quem tiver alguma reclamação que fale com aquele sujeito gordinho, que esse ano não está tão gordinho assim, com aquela coroa e aquela linda rainha dele e duas lindas princesas — disse o prefeito, se referindo ao Rei Momo Wilson Dias, cuja corte é completada pela rainha Thai Rodrigues Pinheiro e as princesas Luara Lino e Deisiane de Jesus.

A cerimônia simbólica de entrega das chavas da cidade pelo prefeito ao Rei Momo foi interrompida nos quatro anos em que Marcelo Crivella esteve no comando da prefeitura. Nesse período, a missão ficou a cargo de colaboradores próximos, como o ex-presidente da Riotur Marcelo Alves e a ex-secretária de Cultura Nilcemar Nogueira.

Depois de dar bolo na cerimônia, em 2017, primeiro ano de seu mandato, em 2018 Crivella, que é pastor licenciado da Igreja Universal, chegou a participar do ato. Na época, até posou para fotos abraçado ao Rei Momo, mas evitou tocar no símbolo da abertura da folia.

No ano passado, os desfiles foram suspensos por conta da pandemia. Na ocasião, já no cargo, em vez de passar a chave da cidade ao Rei Momo, em fevereiro e sem carnaval, Eduardo Paes fez a entrega a duas profissionais de saúde da linha de frente do combate à Covid-19 numa Marquês de Sapucaí vazia, durante cerimônia de inauguração da iluminação especial do Sambódromo.

Mas esse ano, com o carnaval fora de época e sendo realizado em abril, o prefeito garante que vai ser diferente, apesar da duração do reinado de Momo ser menor. Até 2016, na gestão anterior de Eduardo Paes, a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo acontecia nos jardins do Palácio da Cidade, em Botafogo, na sexta-feira que antecedia os desfiles.

— Ele (o Rei Momo) que vai cuidar do Rio durante esses cinco dias. Vai ser um tempinho mais curto, do Reinado de Momo, mas a partir de quarta-feira ele vai receber a chave da cidade de novo. Essa é uma obrigação do prefeito do Rio, independente de sua religião, da sua fé, de gostar ou não da festa, do carnaval, do samba e do ritmo. São rituais que os prefeitos têm de cumprir. Infelizmente a gente viveu esse período estranho na história da nossa cidade, mas a vida vai melhorar, como diz o samba da Vila (Isabel).

Visita aos barracões

Faltando cinco dias para a abertura dos desfiles, Eduardo Paes visitou neste sábado os 14 barracões da Cidade do Samba, 12 do Grupo Especial e dois da Série Ouro, antigo Grupo de Acesso. O prefeito foi recepcionado pelo presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, dirigentes da liga e de algumas agremiações, como Mangueira e Portela.

O objetivo era conferir de perto os últimos preparativos das agremiações para os desfiles que serão abertos na quarta-feira com as escolas do Acesso. Paes chegou à Cidade do Samba pouco antes das 11h30. Entrou primeiro no barracão da Viradouro, campeã do carnaval de 2020, último realizado antes da pandemia. Na saída posou para fotos com um grupo de passistas.

Depois visitou o barracão da União da Ilha, que está na Série Ouro, mas ainda ocupa instalações na Cidade do Samba, assim como a Estácio, também do Acesso. Em seguida foi aos barracões da Paraíso do Tuiuti e Grande Rio. Nesta última foi recepcionado pela bateria. Dalí prosseguiu a visitação às demais escolas.

O prefeito disse que uma das marcas desse carnaval vai ser a diversidade e a tolerância religiosa, presente nos enredos de diversas escolas. Entusiasmado com o que viu nos barracões, Paes afirmou que os desfiles têm tudo para serem uma festa linda e convidou os turistas para vir à cidade:

— É bom a gente estar visitando a Cidade do Samba de novo nesse momento. O carnaval sofreu muito e tudo que significasse o encontro de pessoas, mas é muito bom a gente ver o carnaval carioca dessa vez voltando firme, na quarta-feira com o Grupo de Acesso na Sapucaí e depois o Grupo Especial e a Intendente Magalhães. Vai ser uma festa linda. Meu conselho aqui para os brasileiros e o seguinte: o carnaval do Rio de Janeiro está imperdível, venham para o Rio, a cidade está em festa celebrando, com alegria e a festa que o carioca sabe dar — convocou.

Sobre o Sambódromo, Paes disse que está tudo pronto para os desfiles e, apesar das apresentações estarem garantidas por uma autorização especial do Corpo de Bombeiros, assegurou que o local nunca esteve tão seguro, depois de R$ 12 milhões de investimentos em obras, incluindo as de combate a incêndio.

A respeito do carnavaçl de rua o prefeito afirmou que oficialmente não serão realizados os cortejos dos blocos porque dependem de uma logística mais complexa em relação aos desfiles do Sambódromo, que acontecem num mesmo lugar. Paes pediu a compreensão dos cariocas, mas garantiu que não vai "correr atrás de folião" que desrespeitar a decisão da prefeitura.

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