Traficante 3N era visto como 'falastrão' e criador de problemas pelos próprios comparsas

Carolina Heringer

A presença do traficante Thomas Jayson Vieira Gomes, o 3N, em favelas da facção criminosa que integrava já não era vista com bons olhos pelos seus comparsas. Considerado “falastrão”, o criminoso costumava gravar áudios provocando rivais, fazendo com que ele se tornasse cada vez mais visado pelos policiais e também por adversários. Apenas em três operações realizadas nos últimos meses, cujo obetivo era capturar 3N, 19 criminosos foram mortos pela polícia.

Além de “falastrão”, 3N era considerado vaidoso, apesar de não ter o costume de se expor em redes sociais. Pelos áudios que circulavam no WhasApp, ele se vangloriava de seus feitos criminosos e prometia novas ofensivas contra rivais, principalmente Antono Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó ou Coroa. Depois de ter mudado de facção, as mensagens enviadas por 3N se tornaram cada vez mais frequentes.

Em uma delas, enviada em maio após uma operação na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, 3N lamentou a morte de seus comparsas e a prisão de sua esposa, Brenda Santos. Na ação, oito suspeitos foram mortos e a mulher do criminoso, capturada em flagrante acusada de associação para o tráfico.

“É, parceiro.. morreram sete moleques meus. To tristão por isso aí, mas agora eu tô com mais fé e força para entrar aí e mostrar que a morte deles não foi em vão. A minha é paz e tranquilidade. Posso até perder a vida, mas vou perder como homem. A única coisa que me deixou fraco nesses últimos dias foi ter perdido meus parceiros e a minha esposa ter sido presa", afirma o traficante no áudio.

Apessar de 3N ser avesso às redes sociais, o mesmo não pode se falar de Brena, com quem se casou em janeiro deste ano. A noiva postou várias fotos do casal durante a cerimônia, mas teve o cuidado de encobrir o rosto do marido com um desenho ao publicar a foto em seu perfil no Instagram. Recentemente, Brenda criou um perfil no Instagram no qual posta fotos de Pérola, sua filha com o traficante, que tem seis meses. Nessa terça-feira, a mulher de 3N fez uma homenagem ao marido na rede social.

Ex-chefe do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, 3N gostava de circular pela comunidade com uma Mercedes-Benz vermelha modelo SLK 250. O carro foi apreendido durante uma das megaoperações realizadas no Salgueiro na época da intervenção federal na Segurança Pública. O modelo de 2013 era avaliado em mais de R$ 136 mil

Briga com facção

O criminoso passou a ser um dos mais procurados do Rio ao desafiar a maior facção criminosa do Rio, da qual fazia parte. De acordo com informações da Polícia Civil, o criminoso, antes chamado de 2N, assassinou um antigo comparsa, Schumaker Antonácio do Rosário, após descobrir que ele iria matá-lo.

Thomas Jayson descobriu que o chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, Antonio Ilário Ferreira, o Rabicó, havia ordenado que Schumaker o matasse. O obetivo era retomar o controle do tráfico de drogas no Salgueiro. O comando da venda de drogas estava nas mãos de 2N e Rabicó estava preso.

Após a morte de Schumaker, 2N foi considerado traidor pela facção e teve que fugir do Salgueiro. Ele passou a fazer parte de uma facção criminosa rival e contou com o apoio de alguns aliados que, junto com ele, mudaram de quadrilha. Desde então, ele adotou o apelido de 3N.

Há 13 dias, Rabicó foi solto, após mais de 11 anos atrás das grades. Ele foi beneficiado por uma decisão do STF. A soltura do traficante colocou em alerta auoridades de Segurança Pública do Rio, que temiam uma nova guerra em São Gonçalo. O receio era de que, em liberdade, Rabicó quisesse se vingar de 3N, que vinha tentando dominar o Salgueiro.

O traficante 3N foi morto com cinco comparsas em um sítio em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. De acordo com informações da Polícia Civil, houve confronto e os suspeitos foram mortos. Um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) deu apoio à ação. O corpo de 3N foi enterrado na tarde dessa quarta-feira no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.